O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta sexta-feira, 9, pelo X, que a aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi uma vitória do diálogo e da negociação. Ele disse ainda que se trata de um dos maiores tratados de livre comércio do mundo.
"Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos", destacou o presidente.
Lula afirmou ainda que a aprovação do acordo foi importante diante de um "cenário de crescente protecionismo e unilateralismo".
Segundo o presidente, União Europeia e o Mercosul sinalizam em favor do multilateralismo e o uso do comércio internacional como fator para o crescimento econômico.
"Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões", disse o presidente no X.
O presidente destacou também que o acordo amplia alternativas para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus ao simplificar as regras comerciais impostas para os dois lados.
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Etapas burocráticas
Apesar do sinal positivo dado pelos países da União Europeia, o acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul ainda precisa cumprir etapas burocráticas e pode enfrentar obstáculos políticos e jurídicos.
Na avaliação do professor de Relações Internacionais da UniRitter, João Gabriel Burmann, as chances de um retrocesso total são pequenas, mas o processo ainda envolve entraves que vão de possíveis contestações judiciais na Europa a dificuldades políticas internas no Mercosul.
Um dos obstáculos mais relevantes está na oposição de países europeus com setores agrícolas politicamente influentes. “A França, a Polônia, a Áustria, a Hungria e a Irlanda, a princípio, devem se manter contrárias”, explica Burmann.
Embora esses países não representem maioria suficiente para barrar o tratado sozinhos, o professor destaca que o peso político do agronegócio local gera forte pressão sobre governos e parlamentos nacionais.
Na França, em especial, o acordo provoca uma polarização incomum. Segundo Burmann, a extrema direita e a extrema esquerda tendem a se alinhar contra o governo, ainda que por motivações distintas em relação ao tratado. Enquanto a direita aponta riscos aos agricultores franceses, a esquerda sustenta que o acordo pode resultar em perda de soberania para a União Europeia.