Política

Lula falou com aliados após derrota de Messias e alinhou discurso sobre resultado

Presidente telefona para aliados e Messias após revés da indicação ao Supremo Tribunal Federal

Lula conversou por telefone com Messias
Lula conversou por telefone com Messias Foto : Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou para aliados que estavam no Congresso Nacional logo após a acachapante derrota na votação da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, que estavam presentes na sala, Lula alinhou com esses aliados o discurso que seria feito pelo governo nos primeiros minutos após a derrota histórica de Lula.

Lula também conversou por telefone com Messias. Esta conversa ocorreu em um local reservado e por intermédio do telefone do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Conversa com Messias e reação emotiva

Messias acompanhou a votação que sacramentou a rejeição de seu nome para o STF na liderança do governo no Senado. O presidente tentou reconfortar o advogado-geral da União após o resultado.

Segundo relatos ouvidos pelo Estadão/Broadcast, Messias ficou emocionado logo após a derrota ser sacramentada. Não chegou a chorar, mas ficou evidente para os presentes sua frustração e lamentação. Deu um longo abraço em sua mulher e foi cumprimentado pelas pessoas presentes.

As conversas de Lula com Messias e com outras pessoas na sala ocorreram minutos antes de o advogado-geral da União e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, falarem com a imprensa no Senado. Foi a primeira — e, até agora, única — declaração deles.

Guimarães resumiu o ocorrido em “uma indicação feita pelo presidente da República e cabe ao Senado explicar o motivo disso”. Messias, claramente emocionado, fez uma defesa de sua própria biografia. Disse acreditar que a derrota está dentro de um plano divino e que sua história não acaba com esse episódio.

Foi um discurso com tom emotivo e evitando ataques, com exceção de um momento em que ele disse: “Passei por cinco meses de um processo de desconstrução da minha imagem. Toda sorte de mentira para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso.”

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Reação no Planalto e Alcolumbre

“Quem promoveu isso?”, foi o questionamento de jornalistas. O ministro não respondeu. Mas o recado dado foi claro ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Articuladores políticos, que antes do resultado calculavam uma vitória apertada a favor de Messias, reconheceram a força de Alcolumbre e o quanto ele atuou no caso.

O descontentamento de Lula com o caso também foi grande. Como mostrou o Estadão, o presidente ficou muito irritado com Alcolumbre. Demonstrou isso em reunião que fez com alguns aliados no Palácio da Alvorada logo após a derrota de Messias no Senado.

Lula cobrou dos aliados saber quem foram os “traidores” que permitiram essa derrota. A votação para indicações de autoridades é secreta. Apesar de políticos serem capazes de investigar e chegar a indicativos, é muito difícil ter 100% de certeza sobre o voto de um parlamentar.

Por esse motivo, fontes governistas veem com dificuldade uma retaliação imediata do Palácio do Planalto após o ocorrido. Mas acreditam que algumas pessoas responsáveis pelo ocorrido não passarão incólumes.

Segundo duas pessoas presentes na sala onde Messias e outros aliados assistiram à derrota desta quarta-feira, 29, a orientação do presidente logo após a votação do Senado foi para não elevar os ânimos. O objetivo principal é evitar reações imediatas e impensadas, que podem levar a danos permanentes na relação com o Congresso e com o establishment político.

Até mesmo por isso, o presidente chamou os aliados para o Palácio da Alvorada logo após essa declaração dos ministros. Lá, o tom foi mais duro.