Política

Maioria do STF vota contra réus na linha sucessória da Presidência

Julgamento foi paralisado em função do pedido de vista do ministro Dias Toffoli

STF adia decisão sobre réus na linha sucessória da Presidência
STF adia decisão sobre réus na linha sucessória da Presidência Foto : Nelson Jr./ SCO / STF / CP
Seis, dos oito ministros presentes no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, votaram para que réus não possam fazer parte da linha sucessória da Presidência da República. A sessão, no entanto, foi paralisada devido a pedido de vista do ministro Dias Toffoli e o resultado final do julgamento não será conhecido nesta quinta.

A decisão final dos ministros pode colocar em risco o cargo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), investigado em pelo menos 11 ações no STF.

A ação, apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade em maio, argumenta que o presidente da República não pode, no exercício das suas funções, responder a ações penais por crimes comuns. A representação foi ajuizada pelo partido quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estava na linha sucessória da Presidência da República e já era réu em ação penal perante o STF.

Naquele mês, o STF decidiu por unanimidade suspender o mandato e afastar Cunha da presidência da Câmara. À época, o ministro Teori Zavascki afirmou que Cunha "não se qualifica" para assumir eventualmente a Presidência da República, por ser réu de ação penal.

Renan é alvo de ao menos 11 inquéritos que tramitam no STF. No dia 4 de outubro, o ministro do STF Edson Fachin liberou para julgamento uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente do Senado. Caso o plenário do STF aceite a denúncia da PGR, Renan Calheiros se tornará réu e responderá a uma ação penal por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.

Votação 

Em uma sessão esvaziada, apenas oito dos 11 ministros estavam presentes. Por pouco o julgamento não foi adiado, já que este é o quórum mínimo para as deliberações.

Como adiantou o Estado, três ministros não participam da sessão desta tarde. Gilmar Mendes tirou alguns dias de folga esta semana e está no exterior. Já Ricardo Lewandowski viajou a Porto Seguro, na Bahia, para fazer a palestra de abertura do 6º Encontro Nacional de Juízes Estaduais (Enaje).

O ministro Luís Roberto Barroso estava presente, mas se declarou impedido de participar da sessão alegando "motivos pessoais". O ministro já foi sócio de um escritório de advocacia que subscreve a ação apresentada pela Rede.

Intervenção

O Planalto atuou nos últimos dias para tentar adiar o julgamento. Pelo menos dois auxiliares do presidente Michel Temer procuraram informalmente ministros da Corte para falar do momento inoportuno de se julgar a ação apresentada pelo partido Rede. Na prática, o governo tem feito de tudo para não contrariar Renan, às vésperas da votação, no Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o aumento dos gastos públicos por 20 anos.

Líder da Rede na Câmara, o deputado Alessandro Molon (RJ) acompanhou o julgamento na primeira fila do plenário. Antes da sessão, ele criticou a tentativa de intervenção do governo. Segundo ele, "este é um assunto do Legislativo que está sendo analisado pelo Judiciário, e o Executivo não tem nada a ver com isso".