Política

Ministro do STF critica Cunha e evita dar prazos para julgar maioridade penal

PEC ficaria bloqueada até eventual julgamento no Supremo

Ministro Marco Aurélio Mello considera manobra de Cunha inconstitucional
Ministro Marco Aurélio Mello considera manobra de Cunha inconstitucional Foto : Carlos Humberto / STF / Divulgação
O Supremo Tribunal Federal (STF) não estipula prazo para julgar a validade da aprovação da redução da maioridade penal, ocorrida na madrugada desta quinta-feira na Câmara dos Deputados. Parlamentares contrários à decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de ter retomado a votação após uma derrota do tema se articulam para entrar com mandado de segurança no STF.

Em entrevista à Rádio Guaíba na tarde desta quinta-feira, o ministro do STF Marco Aurélio Mello explicou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) não seria encaminhada ao Senado antes de um eventual julgamento no STF. “Se chegar ao Supremo bloqueia-se a tramitação da PEC. A proposta de emenda constitucional não seguirá para segunda votação e muito menos para o Senado”, garantiu.

O ministro Marco Aurélio Mello ainda criticou a manobra de Eduardo Cunha, que considera inconstitucional. “Todos fomos surpreendidos. O texto constitucional é muito claro ao prever que matéria rejeitada ou declarada prejudicada só pode ser objeto de nova apreciação na sessão legislativa seguinte e continuamos na mesma sessão”, disse o ministro, que garantiu que o STF já tem esse entendimento em casos semelhantes.

“Esse entendimento ele tem sido reiterado em julgamentos do Supremo. Não posso de cabeça dizer quais são os processos, mas é uma jurisprudência consolidada. Por isso estamos todos atônitos. Precisamos amar um pouco mais a lei das leias, que é a Constituição Federal, que a todos submete. Não pode eleger um critério de plantão e fazer a distinção em determinada matéria”, completou.