Política

Moraes chama reunião ministerial de “golpista” e diz que Bolsonaro “instigou” contra o TSE

Moraes apontou que os diálogos da reunião "demonstram claramente o intuito golpista"

Ministro Alexandre de Moraes disse que reunião não foi um evento comum
Ministro Alexandre de Moraes disse que reunião não foi um evento comum Foto : EVARISTO SA / AFP

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou nesta terça-feira (9) que a reunião ministerial realizada em julho de 2022 pelo então presidente Jair Bolsonaro não tinha fins administrativos, mas sim o objetivo de "reforçar um discurso golpista" e descredibilizar a Justiça Eleitoral. Moraes classificou o encontro como uma "reunião golpista" e disse que o ex-presidente incitou seus ministros a espalhar a "gravíssima desinformação" de fraude nas urnas eletrônicas.

Segundo o ministro, a reunião não foi um evento comum. A presença de Walter Braga Netto, que já não era mais ministro e sim candidato a vice-presidente, e dos comandantes das Forças Armadas, que não costumam participar de reuniões ministeriais, reforça a natureza incomum do encontro. "Essa não foi uma reunião ministerial. Foi na forma, não no conteúdo. Foi uma reunião golpista onde se pretendia arregimentar mais ministros e mais servidores, e principalmente os comandantes das Forças Armadas, para o projeto dessa organização criminosa", declarou.

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Moraes apontou que os diálogos da reunião "demonstram claramente o intuito golpista". Na ocasião, Bolsonaro teria dito que os resultados das eleições já estariam "dentro dos computadores do TSE", uma afirmação que, segundo o ministro, não tem base em vídeos reais de falhas nas urnas eletrônicas.

O ministro também mencionou a participação do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que é réu na ação. Moraes afirmou que Torres "endossou a conduta de Bolsonaro" e usou sua posição para "desvirtuar a realidade". Segundo o ministro, Torres chegou a comparar a situação do Brasil com a da Bolívia e disse ter preparado policiais federais "para a guerra". A participação de Braga Netto também foi destacada, por ele ter atacado o ex-presidente do TSE, ministro Edson Fachin, durante o encontro.