Política

MP era informado sobre condições insalubres da Pousada Garoa

Advogada e curadora judicial, Vanessa Canabarro relatou em depoimento à CPI da Câmara de Porto Alegre que condições de segurança do estabelecimento já apresentavam problemas; proprietário estava ciente do vencimento dos extintores

Além de Vanessa, dona de empresa que fornecia extintores para Garoa também foi ouvida em sessão da CPI desta segunda
Além de Vanessa, dona de empresa que fornecia extintores para Garoa também foi ouvida em sessão da CPI desta segunda Foto : Marlon Kevin/CMPA/CP

O Ministério Público vinha sendo informado sobre as condições precárias que a Pousada Garoa fornecia às pessoas em situação de vulnerabilidade, relatou a advogada Vanessa Canabarro. Isso porque Vanessa atua como curadora judicial, e alguns dos seus curatelados moram ou moravam nas unidades da Garoa – incluindo a da avenida Farrapos, que pegou fogo há um ano atrás, provocando a morte de 11 pessoas. Assim, em seus processos, a advogada relatava o estado da moradia oferecida.

Alguns dos meus curatelados preferem morar na rua do que morar em uma Pousada Garoa”, afirmou, em depoimento, nesta segunda-feira, à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara de Porto Alegre que investiga o acidente na Pousada Garoa.

À época do incêndio, a advogada tinha um curatelado hospedado na unidade Farrapos, chamado Jorge, mas ele não havia sido encaminhado para a pousada pela prefeitura de Porto Alegre. Acostumada a frequentar o local, Vanessa classificou as condições de segurança do estabelecimento como uma "tragédia anunciada", uma vez que não havia saídas de emergência, nem rotas de fuga, além das janelas e portas serem trancadas com cadeado.

Joseli Nogueira de Souza, segunda testemunha da CPI desta segunda, reforçou os problemas de segurança da Pousada ao relatar que o proprietário, André Kologeski, teria ciência sobre o vencimento dos extintores de incêndio. Dona da empresa Protege Comércio de Extintores, que presta serviços para a rede de pousadas, Joseli teria enviado, no mesmo dia do incêndio, uma mensagem a André informando sobre a data de validade. “No dia do incêndio, eu mandei um WhatsApp para o André (Kologeski, proprietário das Pousadas Garoa), mas não recebi retorno. À noite, pegou fogo na pousada”, relatou.

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Ela contou que, somente após o incêndio e notificação dos Bombeiros, o proprietário das pousadas fechou contrato para sua empresa executar o serviço de troca dos extintores vencidos e também de treinamento de Brigada de Incêndio, esse último já em 2025. De acordo com a testemunha, eram em torno de seis ou sete extintores vencidos entre todas as Pousadas Garoa em que sua empresa prestou serviço.

A responsabilidade pelo prazo de vencimento dos extintores é do proprietário, não da empresa. A cópia de orçamentos produzidos por Joseli às pousadas foram solicitados pela comissão após seu relato.

Os vereadores devem realizar, nesta quarta-feira, uma sessão extraordinária da CPI, para realização de uma oitiva reservada com o sobrevivente do incêndio Glaucio Oxley da Rosa. O requerimento foi um pedido do vereador Ramiro Rosário.