Na sua exposição no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Toron lembrou o voto de três ministros da Corte na época do recebimento da denúncia, em 2007: Ayres Britto, Gilmar Mendes e Eros Grau, já aposentado. À época, os três votaram por rejeitar a acusação do Ministério Público por entenderem que não houve tentativa de se ocultar a transação, elemento necessário para se processar alguém por lavagem de dinheiro.
O defensor de Cunha repetiu o que disse Gilmar Mendes em 2007, que acusar seu cliente de lavagem é "fantasmagórico". Ao final da exposição, ele pediu a absolvição de todos os crimes a que o deputado, candidato à prefeitura de Osasco (SP), responde. "Da prova não se extrai nenhum crime", defendeu.
João Paulo é o único réu que é candidato nas eleições de outubro e disputa justamente o cargo de prefeito de Osasco. Toron destacou que Valério esteve na casa de João Paulo no dia anterior ao saque feito pela esposa do deputado. "Fosse dinheiro de corrupção, levava em mãos, como é o natural, não pelo banco". O advogado ressaltou ainda que o Ministério Público afirma que era possível sacar dinheiro com outra pessoa assinando em seu lugar.
Para Toron, se fosse corrupção, o deputado não teria enviado a esposa ao banco.Toron afirmou ainda que a acusação falava em corrupção no processo licitatório, mas não teria provado qualquer irregularidade. Novamente recorreu ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e destacou que a comissão de licitação na administração de João Paulo tinha três dos cinco servidores idênticos à do tucano. Garantiu que os serviços contratados foram prestados pela SMP&B, ainda que por subcontratação.
A última defesa prevista para esta quarta é a do ex-ministro de Comunicação Luiz Gushiken. De acordo com a acusação, ele teria autorizado um ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, a adiantar pagamentos da Visanet (fundo privado do qual o Banco do Brasil é um dos acionistas) para uma das empresas de Marcos Valério. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no entanto, pediu sua absolvição por não haver elementos ou indícios que justificassem a condenação. Ele será defendido por José Roberto Leal de Carvalho, que reforçará o argumento de que seu cliente é inocente da acusação de peculato.
O mensalão
O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.
Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.