Paula Mascarenhas está de saída do comando do PSDB gaúcho e o divórcio tem data marcada: final de outubro. Na teoria, a ex-prefeita de Pelotas deixa a presidência da sigla após uma resolução do diretório nacional que determinou a troca de todos os comandos estaduais. Mas, na prática, o movimento expõe um novo processo de ruptura dentro do ninho tucano.
Paula foi alçada a pré-candidata do PSDB em julho deste ano por um grupo que defende seu nome como uma continuidade da gestão de Eduardo Leite (PSD), ainda que o governador já tenha dito, em mais de uma oportunidade, que o seu candidato é o atual vice-governador, Gabriel Souza (MDB).
No entanto, desde que Leite deixou a sigla, em maio deste ano, e levou consigo 27 prefeitos – além dos deputados e vereadores que aguardam a janela eleitoral para realizar a migração – as relações internas ficaram cada vez mais conturbadas. Um exemplo foi a entrada do prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, que deixou o PDT e se fardou para concorrer ao Piratini.
Agora, uma espécie de racha persiste: enquanto um grupo defende a continuidade da aliança com o governador e, automaticamente, um possível apoio a Gabriel; outro não aceitou as baixas e trabalha para dar um novo rumo à sigla no Rio Grande do Sul. E ambos possuem pré-candidatos.
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Sucessora de Leite na prefeitura de Pelotas e secretária de Relações Instituições do governo, Paula reforça que sua candidatura só existe como base do governo. Mas a tendência é de que o segundo grupo saia na frente, conquistando a liderança da sigla e chancelando a candidatura de Maranata.
Nos bastidores o clima parece ainda pior do que é dito, mesmo informalmente por correligionários. Vereadores e deputados que já estão de saída anunciada, mas aguardam suas respectivas janelas eleitorais, reclamam de falta de respeito por parte dos colegas, que os acusam de serem responsáveis pela derrocada tucana.
Diante desse cenário, Paula não descarta deixar também o partido. Segundo ela, a sua decisão no futuro irá se basear "na linha que o partido irá assumir" após a instituição da nova presidência estadual. Importante lembrar ainda que o PSDB, após as eleições de 2022, encolheu mais e passou a ter diferentes tratativas de possíveis alianças, federações e até união. Porém, nenhum desses movimentos avançou.
O nome do novo presidente da sigla no RS ainda não foi definido, mas a tendência é de que seja algum dos oito prefeitos que permaneceram após a debandada. Em novembro, será a vez da presidência nacional mudar, com a saída de Marconi Perillo. Mas, para esse posto, o nome já está definido: Aécio Neves.