* Com informações da AE e da Folha de São Paulo
Os investigadores da Lava Jato afirmam que a propina com origem em uma obra da Petrobras no Rio teria financiado a escola de samba Estado Maior da Restinga e a madrinha da escola. A agremiação estaria entre os destinatários dos repasses a pedido do ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira. Ele é suspeito de ligação com o esquema Consist – empresa de software que teria desviado R$ 100 milhões de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento na gestão Paulo Bernardo.
Os investigadores disseram ter colhido provas de que Ferreira recebeu recursos desviados da Petrobras. Ele usava contas de parentes para receber os recursos, um blog no qual publicava notas favoráveis à sua atuação política e também Estado Maior da Restinga, escola de samba da zona Sul de Porto Alegre.
Segundo a Folha de São Paulo, foram identificados pagamentos de R$ 45 mil à agremiação e diversos repasses para a madrinha de bateria da escola. Ainda segundo o jornal, o conselheiro da Estado Maior da Restinga, Hélio Garcias Dias, que foi presidente da escola de 2003 a 2009, disse que Paulo Ferreira repassou verbas à agremiação através de projetos do Ministério da Cultura, que envolvem a Cadeia Produtiva do Carnaval. Essas verbas teriam beneficiado diversas escolas de samba de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, não apenas a Restinga.
O presidente da escola, Robson Dias, confirmou o recebimento do dinheiro em entrevista para o Correio do Povo, mas frisou que não sabia qual a origem. "De onde vinha, confesso, eu não sei. Imaginava que seria da embaixada da China ou de leis de incentivo à cultura".
No Carnaval 2010/2011, a escola da zona Sul de Porto Alegre homenageou o país asiático. Paulo Ferreira foi quem intermediou uma viagem para 11 membros da agremiação à China.
Propina para a madrinha da escola
Os valores destinados à madrinha da bateria teriam saído das propinas de R$ 39 milhões que verteram de contratos das obras do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio. Ao mandar prender Paulo Ferreira, o juiz federal Sérgio Moro listou documentos bancários que comprovariam os 18 repasses para a madrinha da escola- o primeiro realizado em 14 de maio de 2010, o último em 28 de agosto de 2010.
Nova fase da Lava Jato
A Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, aponta que o ex-vereador do PT, em Americana, Alexandre Romano, o Chambinho, intermediou propinas sobre obras do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) para o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, que 'teria recebido os valores na condição de agente do Partido dos Trabalhadores'
O juiz federal Sérgio Moro, a pedido do Ministério Público Federal, determinou a prisão de Paulo Ferreira – que já está custodiado preventivamente na Operação Custo Brasil.
Propina da Petrobras teria financiado escola de samba de Porto Alegre
Agremiação estaria entre os destinatários dos repasses a pedido do ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira