A Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio de Janeiro anunciou nesta quarta-feira, 10, que abrirá um processo no conselho de ética da legenda contra a deputada estadual Carla Machado (PT-RJ).
A decisão foi tomada após a parlamentar votar pela derrubada da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a prisão preventiva do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, contrariando a orientação do partido.
Em nota, o PT afirmou que a construção partidária é coletiva e exige compromisso com decisões democráticas, unidade programática e coerência política. Segundo o comunicado, a postura da deputada representa uma 'reiterada desconsideração das orientações partidárias' e expressa divergências estruturais em relação às posições da sigla - fatores que, na avaliação da direção estadual, fragilizam a atuação do partido. Procurada, a deputada ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.
O estatuto do PT determina que parlamentares devem seguir as orientações da sigla nas votações. Para a direção estadual, ao votar pela soltura de Bacellar, Carla Machado descumpriu esse princípio, o que configuraria violação de deveres internos.
- Defesa de Bolsonaro pede que STF dispense autorização para visitas de Michelle e filhos na PF
- Plenário da Câmara deve votar PEC da Segurança Pública na terça-feira, 16
- MPT pede a Eduardo Leite veto a realocação de doações das enchentes
- Motta notifica Eduardo Bolsonaro sobre processo de perda do mandato
O partido informou que a deputada terá direito à ampla defesa e ao contraditório durante o processo que analisará eventuais punições. Procurado sobre quais penalidades podem ser aplicadas e sobre os desdobramentos do episódio na atuação da legenda na Alerj, o Diretório Estadual do PT no Rio de Janeiro não se manifestou. Carla Machado foi a única deputada estadual petista a votar pela liberação de Bacellar.
No julgamento, os parlamentares decidiram se mantinham a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. A soltura foi aprovada por 42 votos a 21, permitindo que Bacellar deixasse a sede da Polícia Federal nesta terça-feira, 9.
Rodrigo Bacellar foi preso na semana passada pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Unha e Carne. Segundo as investigações, o presidente da Alerj é suspeito de vazar informações da Operação Zargun, na qual o então deputado estadual TH Joias foi preso sob acusação de ligação com a facção Comando Vermelho (CV).