Nesta terça-feira, em entrevista ao Esfera Pública, o governador Eduardo Leite falou, sobretudo, sobre o futuro e esclareceu dissonâncias. A reconstrução do Estado, os impasses com a União e o sistema de saúde de Porto Alegre foram algumas das pautas abordadas.
O chefe do Executivo também comentou sobre a corrida presidencial de 2026 e as movimentações/especulações partidárias recentes. Para além disso, a concessão do Bloco 2 de rodovias foi alvo de explicações.
Reconstrução do RS
A reconstrução do Rio Grande do Sul após a calamidade foi o primeiro assunto que veio à tona. Para o governador, trata-se de um processo multifacetado. “Programas de financiamento, reconstrução das estradas, a construção de moradias (...), existem muitas ações várias frentes que estão sendo mobilizadas”, afirmou.
Contudo, Leite marcou uma diferença clara desses processos em comparação ao sistema anti-cheias. Para ele, tratam-se de obras que demandam tempo e precisam ser pensadas à longo prazo.
"Uma coisa é recompor o sistema de proteção (contra enchentes) e outra é construir algo novo”
Apesar disso, o Executivo assegura ao povo gaúcho que está se fazendo uma boa ‘semeadura”. “Depois disso, é sobre dar continuidade. Por isso, esse plano precisa ser acompanhado por todos”.
Impasses com a União
Leite também comentou sobre uma dita “guerra de narrativas” entre o governo do Estado e a União. O embate se deu nas redes sociais.
Primeiramente, veio à público um pedido do Estado para a liberação dos R$ 6.5 bilhões do fundo para o RS. Em resposta, o ex-ministro Paulo Pimenta afirmou que os recursos já tinham sido liberados e só não podiam ser acessado, pois o Governo não tinha apresentado os projetos para tanto.
“A União não depositou o valor para que ele fosse de pronta execução. Foi para, através da lei da calamidade, manejar recursos sem computar no teto de gastos.” O governador explica ainda que, em outro cenário, a reconstrução do Estado precisaria disputar recursos dentro do orçamento federal.
Nesse sentido, Eduardo Leite se diz grato pela estratégia adotada. Porém, o Executivo também aponta que os projetos pretendidos são complexos e existe uma série de burocracias envolvidas.
“Eu demando. O meu papel como governador é demandar da União”. Quanto à alegação do Partidos dos Trabalhadores (que há dinheiro parado), Leite negou e lamentou a ideologização da discussão.
“Não tem dinheiro parado. Os ministérios estão acompanhando. Estamos dialogando e apresentando todas etapas que estamos cumprindo. Os anteprojetos serão atualizados e os serviços contratados”
Saúde de Porto Alegre
Outra assunto posto em pauta foi a crise na saúde. Atualmente, há negociações para o governo do Estado assumir a gestão das instituições de alta e média complexidade de Porto Alegre. Nesse contexto, tornaram-se públicas divergências entre o governador e o prefeito da Capital, Sebastião Melo (MDB).
Diante das declarações do Executivo da Capital, Leite marcou sua discordância e deixou o futuro em aberto:
“É dever da capital atender pacientes de outras regiões. Ela recebe para isso. (...) Se no final do processo, a Prefeitura insistir em ficar com a gestão, nada se perde. No mínimo, nós vamos receber dados e um diagnóstico mais claro para saber onde colocar os recursos”
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Eleições presidenciais de 2026
Eduardo Leite já admitiu a possibilidade de filiar-se ao Partido Social Democrático (PSD) e, inclusive, afirmou que a definição se daria até o final do mês de abril. Entretanto, o governador optou por manter o mistério.
"Estou há 24 anos no PSDB, nunca tive outro partido. Não é uma decisão fácil”. O tucano ainda disse que, a matéria não é prioridade dentro da sua rotina. “Minha atenção está na reconstrução do Estado”, afirmou. Já no que fiz respeito à corrida presidencial de 2026, o tom não é o mesmo.
“Eu tenho disposição de liderar um projeto nacional. Eu não consigo me conformar com a polarização que aí está.”
Leite entende, porém, que não se trata de uma decisão pessoal. “Eu tenho um grupo político para compor com. Tudo isso está sendo ponderado”.
Questionado, o político admitiu a possibilidade de concorrer a uma vaga no senado pelo PSD. Entretanto, reiterou novamente a disposição de liderar um projeto presidencial.
Concessão: Bloco 2 de rodovias
O governador afirmou que não descarta a possibilidade de ampliar o montante de R$ 1,3 bilhão de repasse – oriundos do Funrigs – ao bloco 2 de concessões. Contudo, a quantidade a ser acrescentada caso a medida se confirme não foi divulgada.
O objetivo do aporte seria reduzir as tarifas dos pedágios. A matéria tem sido alvo de resistência entre os aliados, que alegam que os valores especulados “não cabem no bolso da população nesse momento”.
Leite afirmou que os estudos ainda estão sendo feitos e, na primeira quinzena de maio, será feita a devolutiva. Entretanto, o chefe do Executivo garante que:
“Não será a tarifa que foi originalmente prevista. Será menos que os R$ 0,23 por quilômetro”
No que diz respeito ao número de pórticos, o governador manteve-se firme à sua convicção. “Se o número deles diminuir, o valor dos remanescentes aumentará. O número maior possibilita uma distribuição mais justa dos pagamentos.” Assim, de acordo com o tucano, “quem anda mais, paga mais; quem anda menos, paga menos”.
Gov Eduardo Leite no Programa Esfera Pùblica da Rádio Guaíba