Os bastidores da votação do projeto do prefeito de Porto Alegre Sebastião Melo (MDB) que revisa a planta genérica de valores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) impactaram em outro processo que tramita na Câmara de Vereadores.
Foi adiada, na sexta-feira, a decisão da comissão de ética da Casa sobre o pedido de cassação do mandato de Gilvani o Gringo (Republicanos) por pedidos de vistas coletivas. A postergação do caso tem como pano de fundo uma articulação governista para angariar o máximo de votos possíveis ante a uma base aliada dividida no debate sobre o IPTU.
Melo já não contará com votos do bloco de direita no Legislativo, composto por 10 parlamentares de Cidadania, Novo, PL e PP, partidos que fazem parte da base. Portanto, todo voto conta. Afinal, deverá precisar de votos da oposição se quiser aprovar o texto original, sem modificar a proposta. Assim, articulou investida para o Republicanos.
Inclusive o voto de Gringo. Gerou incômodo no prefeito que o parlamentar pudesse ser cassado nesta sexta com votos da base. Ele e o Republicanos, portanto, atuaram para adiar essa decisão na comissão de ética. Parte dessa articulação ocorreu nos bastidores da agenda do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na capital gaúcha, evento amplamente prestigiado por políticos da direita gaúcha, inclusive vereadores de Porto Alegre.
A estratégia foi de ganhar tempo para manter o Republicanos perto.
Melo também precisará de votos de PT, PSol e PCdoB, partidos que terão uma grande oportunidade em mãos. Votando sim, fará com que Melo aprove um projeto polêmico com a ajuda da oposição em contrariedade a parte da base. Votando não, o projeto deve ser rejeitado.