Política

Senado aprova corte de 30% no orçamento

PEC que desvincula receitas da União até 2023 foi aprovada em dois turnos

Renan negociou aprovação definitiva da DRU com líderes partidários
Renan negociou aprovação definitiva da DRU com líderes partidários Foto : Pedro Ladeira / Folhapress / CP
O Senado aprovou  na noite dessa quarta-feira, em primeiro turno e segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que recria a Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 2023. A matéria foi aprovada por 56 votos a 13,em primeiro turno, e extraordinariamente, logo a seguir, em segundo turno, por 54 votos favoráveis e 15 contrários. A segunda votação estava prevista para 8 de setembro, mas acordo de líderes antecipou a apreciação da matéria, que aguarda agora promulgada pelo Congresso.

A DRU é um mecanismo que dá liberdade ao governo no uso das receitas obtidas por meio de tributos federais vinculados por lei a fundos ou despesas. Na prática, permite à União aplicar os recursos vinculados por lei a áreas como educação, saúde e previdência social em qualquer despesa considerada prioritária e na formação de superávit primário — desde que respeitando os gastos mínimos constitucionais exigidos para cada área. A última autorização para que a União pudesse desvincular seu Orçamento venceu em 2015.

O texto aprovado pelo Senado é o mesmo que foi avalizado pela Câmara. A PEC recria a DRU até 31 de dezembro de 2023, estabelecendo que a autorização para remanejar o Orçamento da União será retroativa a 1º de janeiro deste ano. A proposta também prevê que a alíquota do Orçamento da União que o Executivo poderá remanejar seja elevada de 20%, como foi até o ano passado, para 30%.

Além disso, a PEC estabelece a criação de espécie de DRU para Estados e municípios — chamadas de DRE e DRM, respectivamente — nos mesmos termos da desvinculação de receitas para União, mas prevendo explicitamente que o remanejamento não pode afetar recursos destinados à saúde e à educação.