Política

STF pode aplicar medida cautelar, mas não afastar parlamentar

Autora de voto de minerva, Cármen Lúcia concordou parcialmente com Edson Fachin

STF pode aplicar medida cautelar, mas não afastar parlamentar
STF pode aplicar medida cautelar, mas não afastar parlamentar Foto : Carlos Mourao / STF / CP
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira, após uma das sessões mais polêmicas da casa, onde houve inclusive a busca de uniformizar a decisão após um empate em cinco a cinco, que o que o afastamento de qualquer parlamentar de suas atividades deverá ter o aval da respectiva casa legislativa para que se torne efetiva. O resultado final, após o voto da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, foi de seis a cinco.

Após cerca de 10 horas de julgamento, os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Celso de Mello votaram pela possibilidade de afastamento sem autorização da Câmara dos Deputados ou do Senado. Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e a presidente, Cármen Lúcia, votaram pela necessidade de aval do Legislativo.

Pela manhã, quando começou a sessão, o ministro relator Edson Fachin, em um voto contundente, propôs a rejeição da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pelos partidos PP, PSC e Solidariedade, após o STF ter afastado o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do exercício de seu mandato, no ano passado, que pedia à Corte a possibilidade de o Congresso revisar o afastamento e outras medidas cautelares diversas da prisão aplicadas a parlamentares.

Para Fachin, a revisão desse tipo de decisão judicial no Congresso representa uma ofensa à independência do Judiciário. O ministro relator destacou que a Constituição “nem de longe confere ao Poder Legislativo o poder de revisar juízos técnico-jurídicos emanados do Poder Judiciário”. Segundo ele, a Constituição permite ao Poder Legislativo “apenas o poder de relaxar a prisão em flagrante, forte num juízo político”.

Essa posição, no entanto, não foi majoritária. Seis ministros, inclusive a presidente do Supremo, votaram para que medidas cautelares como o afastamento do mandato de um parlamentar tivesse que passar pelo crivo da respectiva Casa legislativa ou fossem consideradas inaplicáveis.

Decisão poderá beneficiar Aécio

A decisão do plenário do STF deve impactar favoravelmente o senador Aécio Neves (PSDB), afastado do mandato em setembro pela 1ª Turma do Supremo, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR). Na próxima terça-feira, o Senado retoma a votação sobre o afastamento de Aécio. Requerimento apresentado por Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) propôs o adiamento da discussão do assunto no plenário da Casa até que o Supremo se manifestasse. Com base nas delações da JBS, Aécio é acusado pela PGR de obstrução da Justiça e corrupção passiva. Aécio se diz “vítima de armação”.

*Com Agência Brasil