Política

STJ afasta ministro suspeito de importunação sexual

Marco Buzzi foi acusado de crime por duas mulheres

Marco Aurélio Buzzi foi afastado pelo STJ
Marco Aurélio Buzzi foi afastado pelo STJ Foto : Sandra Fado/STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou nesta terça-feira o afastamento do ministro Marco Aurélio Buzzi, suspeito de importunação sexual. Ele foi acusado por duas mulheres.

O STJ realizou uma sessão extraordinária para tratar do assunto e deliberou, por unanimidade, pelo “afastamento cautelar do magistrado em sindicância já instaurada” para apuração dos fatos.

De acordo com o órgão, o afastamento é cautelar, temporário e excepcional. “Neste período, o ministro ficará impedido de utilizar seu local de trabalho, veículo oficial e demais prerrogativas inerentes ao exercício da função”, explica a nota.

No dia 10 de março, os ministros irão analisar as conclusões da Comissão de Sindicância em uma sessão do Pleno do STJ.

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Pedido

Horas antes da determinação do afastamento pelo STJ, o próprio ministro Buzzi pediu afastamento do cargo por 90 dias. Em mensagem enviada a colegas magistrados, ele negou acusações.

De acordo com a assessoria de imprensa do ministro, consta no pedido de afastamento que o paciente apresenta problemas cardíacos.

A primeira acusação contra Buzzi veio à tona na semana passada, quando a família de uma jovem de 18 anos procurou ministros da Corte. Segundo relatos, a vítima passava férias com os pais e a família do ministro no imóvel dele, localizado no Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Segundo a vítima que apresentou a primeira acusação, o ministro a teria agarrado à força no mar. Ainda conforme o relato, a jovem se desvencilhou e contou o episódio para os pais em seguida, que deixaram o local no mesmo dia.

Nova denúncia

A segunda denúncia chegou ao conhecimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nessa segunda-feira. Uma outra mulher alegou ter sofrido assédio sexual de Marco Buzzi. Conforme a nota do CNJ, a vítima narrou "fatos análogos àqueles objeto de um procedimento em curso", o que motivou a abertura de uma nova reclamação disciplinar contra o ministro.

A partir daí, foi aberta uma sindicância no STJ para apurar a veracidade dos fatos narrados pela primeira vítima. O mais provável é que o novo caso seja também alvo de investigação no tribunal. A sindicância aberta no STJ e os processos no CNJ têm caráter administrativo e podem resultar na aposentadoria compulsória do ministro.

Em paralelo, o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de São Paulo pela família da primeira vítima foi encaminhado na semana passada para o Supremo Tribunal Federal (STF), por ser o foro indicado para processar e julgar ministros de cortes superiores. A investigação está sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.

Defesa

Os advogados João Costa, João Pedro Mello e Maria Fernanda Saad, que conduzem a defesa de Buzzi, dizem que ele "não cometeu qualquer ato impróprio". A defesa afirma que "vazamentos instantâneos de informações sigilosas sobre fatos não verificados são um truque sórdido", e que "tribunais, com magistrados experientes e ritos depurados ao longo de séculos, não podem ser substituídos por 'juízes' e opiniões inflamadas".