Desde que assumiu a presidência do STF, a minsitra ajudou a costurar uma solução para o impasse após o afastamento de Renan Calheiros (PMDB) da presidência do Senado e tenta assumir destaque na mediação das crises do sistema carcerário e a financeira dos Estados. Neste último ponto, a ela irritou o governo federal.
Em meio a uma negociação entre o Estado do Rio de Janeiro e a União, Cármen concedeu duas liminares favoráveis ao governo fluminense que evitaram bloqueios de contas. O Rio ficou com uma carta na manga nas tratativas com o governo federal. Até aliados da presidente da Corte dentro do Tribunal consideraram a decisão equivocada, e os despachos desagradaram a Temer e à equipe econômica, que buscaram a presidente do Supremo para explicar a situação. A avaliação do Planalto é de que a decisão poderia gerar um efeito cascata.
Cármen e Temer se reuniram na residência da ministra há uma semana. Em sinal de deferência, o presidente da República se deslocou do Palácio do Jaburu até o Lago Sul. Depois do encontro, ela suspendeu a tramitação das ações sobre o Rio e deve homologar o acordo, que voltou a ser feito, entre União e Estado.
A boa relação entre os dois, porém, é a versão oficialmente propagada por assessores do Planalto e do Supremo. Internamente, Cármen é criticada por tomar a dianteira de problemas sem entregar soluções concretas. Um ministro do STF ouvido pela reportagem considera, por exemplo, que ela já poderia ter entregue uma medida efetiva para o sistema carcerário - e não apenas ter feito visitas a penitenciárias.
Servidores que já trabalharam com a ministra avaliam que ela centraliza a resolução dos problemas. Por isso teria demorado quatro meses para nomear uma juíza para a diretoria do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, considerada uma de suas prioridades. Um ministro afirmou, reservadamente, que Cármen Lúcia, ao centralizar as decisões, agiria como a presidente cassada Dilma Rousseff, uma vez que protela suas ações e soluções.
Proximidade:
Visto no Planalto como o interlocutor do governo no Judiciário, Gilmar tem mantido uma relação cada vez mais próxima a Temer. Segundo auxiliares palacianos, os dois costumam conversar praticamente todas as semanas. A proximidade foi explicitada na semana passada, quando o ministro pegou carona na comitiva presidencial para voltar a Portugal, onde passava férias com a família.
A viagem, porém, gerou críticas à conduta de Gilmar, que vai presidir, no TSE, o julgamento da ação que pode cassar o mandato de Temer e tornar Dilma inelegível. Como presidente da corte eleitoral, caberá a ele decidir quando levar o caso a julgamento no plenário. O ministro rebateu as acusações e disse ter relações institucionais. Conhecido por falar fora dos autos, o ministro já externou publicamente uma série de opiniões sobre o caso. Foi ele quem começou a defender, por exemplo, que seria possível separar as contas de Temer e Dilma.