Rural

“A crise não é do agro, é no agro”, afirma economista

Antonio da Luz, economista-chefe da Farsul e da Agromoney, atribui os problemas do setor aos altos juros no país

“O agro não está em crise. Ele está contaminado por uma crise macroeconômica”, afirmou Da Luz
“O agro não está em crise. Ele está contaminado por uma crise macroeconômica”, afirmou Da Luz Foto : Leandro Mariani Mittmann / Especial/ CP

“Nós vivemos neste momento a maior crise de crédito na história do Brasil”. Com esta frase Antonio da Luz, o economista-chefe da Federação da Agricultura do RS (Farsul) e também da assessoria econômica Agromoney, abriu sua explanação no do 15º Congresso da Andav, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários, nesta quarta-feira, 12, em São Paulo.

“Nunca passamos por algo como estamos vivendo. E precisamos entender as razões disso para podermos ter uma ideia da porta de saída das coisas”, acrescentou.

Da Luz descreveu os problemas fiscais da economia brasileira, ou seja, os gastos mais altos que as receitas, que levam o governo federal a manter os juros da Selic altos e, desta forma, promovendo o endividamento das empresas e também das famílias.

E neste amplo universo da economia ele contextualizou o agronegócio brasileiro, que também enfrenta situações de inadimplência e ampliação dos casos de recuperações judiciais.

Ao final da explanação, fez uma projeção positiva para o setor, visto a melhora das cotações de commodities e, neste sentido, com perspectivas mais promissoras para 2027.

“Tem muita gente que fala que vivemos uma crise do agro. Eu não concordo com essa ideia. Eu acho que temos uma crise no agro. E isso faz muita diferença”, definiu o economista.

Margens baixas

Então, descreveu a situação de um produtor com produtividade de soja em 61 sacas por hectare, que estaria com três anos de margens de lucro ruins ou negativas (de 2023 a 2025), enquanto teria obtido ganhos de 26% em 2022 e 21% em 2021.

Mas, lembrou, que se forem retiradas os custos dos juros, “as margens seriam dentro de uma normalidade.” “O fato é que estamos com margens muito baixas”, resumiu o momento.

“O agro não está em crise. Ele está contaminado por uma crise macroeconômica”, ilustrou.

“A crise, ele (agro) importou, porque o agronegócio não é uma ilha. Nós negociamos na moeda do país, nos juros do país, tudo do país”, acrescentou.

“O nosso grande problema são os juros. Os juros estão estratosféricos, drenando os resultados do agro, da indústria e dos serviços”, decretou, e ainda lembrou que as taxas são “a febre, não a infecção”, ou seja, está se combatendo as consequências e não as causas dos problemas da economia.

Ciclo vai virar

No entanto, sobre o setor, Da Luz fez uma previsão mais positiva. A começar pelo recorde de safra de grãos neste ano. “Eu estou bastante otimista com o agro”, revelou.

E justificou que os ciclos de soja e milho são positivos, inclusive pelo clima adverso nas lavouras americanas, situação que já provocou aumentos na Bolsa de Chicago (no caso da oleaginosa, de 11% a 15% em relação há um ano). E ainda há encolhimento nos estoques mundiais das duas commodities, ao mesmo tempo em que ocorrem aumentos do consumo de ambas

“O mercado está operando com preços melhores. E acho que vamos ter preços melhores, que devem subir mais ainda, sobretudo no ano que vem”, previu.

“O agro está virando o ciclo. Estamos com 71% da safra (de soja) deste ano vendida e 13% da do ano que vem”, mencionou. E quanto ao milho, disse que o mercado já está no cenário de consumir mais que o produzido. “Já tem mais consumo neste ano que produção, porque os Estados Unidos diminuíram a área para aumentar a soja”, explicou.

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