Rural

Chuva dificulta acesso de técnicos a propriedades rurais

Danos até o momento são pontuais, diz Emater; umidade excessiva pode prejudicar desenvolvimento de lavouras de trigo e danificar pastagens

Umidade traz riscos ao desenvolvimento do trigo, cujo plantio já foi quase concluído no RS
Umidade traz riscos ao desenvolvimento do trigo, cujo plantio já foi quase concluído no RS Foto : Oriberto Adami / Emater / Divulgação / CP

Apesar do volume excessivo de chuvas registrado em todo o Estado desde o final de semana, a Emater/RS-Ascar não tem relatos de grandes prejuízos causados à agropecuária até o momento, apenas de problemas pontuais. O diretor técnico da empresa de assistência técnica, Mateus Rocha, diz que a chuva persistente, somada à falta de energia elétrica e de conexão à internet em muitos locais, vem dificultando o acesso das equipes de profissionais às propriedades rurais para o levantamento de possíveis danos.

Presente em todo o território gaúcho, com 497 escritórios municipais e 12 regionais, a Emater/RS-Ascar faz parte do Gabinete Integrado de Gerenciamento de Desastres (GIGED) da Defesa Civil, que coordena a resposta a eventos extremos, observa Rocha. Segundo o diretor, a empresa também criou um comitê gestor, com representantes em todos os seus escritórios regionais, para facilitar a coleta de informações no meio rural.

“Organizamos a Emater no sentido de logística, equipamentos, veículos, caso se necessite de uma intervenção mais presencial. Estamos mais preparados do que estávamos em 2024”, afirma Rocha, citando as enchentes de maio de 2024. “Estamos tentando entender os cenários postos pelas cheias e, conforme as necessidades, reportando à Defesa Civil para colaborar com o Estado.”

Uma das preocupações refere-se à safra de inverno, especialmente nas áreas que concentram a maior parte da produção de trigo, como a coberta pelo escritório regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, explica o diretor. A semeadura do cereal já foi concluída em 93% da área de cultivo prevista para este ano, de 814.220 hectares. “O trigo é muito sensível a grandes volumes de umidade. A maioria (das lavouras já implantadas) ainda está na fase de perfilhamento”, diz Rocha. A chuva também sinaliza riscos à criação de animais, pois pode causar estragos às pastagens, dificultando a engorda de bovinos no inverno e também a nutrição de aves e suínos, acrescenta o diretor.

A recomendação dada aos produtores rurais neste período de chuvas intensas, segundo Rocha, é buscar orientação profissional para evitar investimentos em insumos e tratamentos que não seriam adequados, além de evitar a exposição a riscos. “Primeiro, (recomendamos) o cuidado intenso com as famílias, e num segundo momento, com a propriedade como um todo, no sentido de gestão de investimentos e das suas criações, para que a gente minimize os prejuízos possíveis”, enfatiza Rocha.

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