Rural

Cidade do Agro conectará produtores, empresas e pesquisadores

Projeto, que já tem apoio de mais de 170 parceiros, está sendo implantado em área entre Pelotas e Capão do Leão e aproveita vocação produtiva da Metade Sul

Lauro Riberio (em pé) apresentou detalhes do projeto em evento no Sindienergia-RS
Lauro Riberio (em pé) apresentou detalhes do projeto em evento no Sindienergia-RS Foto : Patrícia Feiten

Lançado em julho, com a proposta de conectar produtores rurais a empresas de tecnologia, universidades e instituições de pesquisa em um espaço comum, o projeto Cidade do Agro começa a sair do papel. Detalhes do empreendimento, que deverá ocupar inicialmente uma área de 200 hectares às margens da BR-293, entre os municípios de Pelotas e Capão do Leão, foram apresentados nesta quinta-feira (24), em evento na sede do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), em Porto Alegre, com a participação do líder da iniciativa, o engenheiro agrícola e empresário rural Lauro Ribeiro.

A ideia surgiu de uma força-tarefa organizada por produtores rurais em meio às enchentes de maio de 2024 para conter alagamentos na região de Pelotas, mobilização que se estendeu a municípios da Região Metropolitana. “Tínhamos bombas de irrigação, que a gente também pode usar para drenagem. Fizemos uma grande operação, com o apoio dos setores de máquinas e geradores, agricultores que tinham os equipamentos e (criamos) um grande movimento de ajudar as cidades. A partir disso, começamos a discutir como seguir esse movimento para fazer o desenvolvimento da nossa região evoluir”, disse Ribeiro.

Atualmente, afirmou, o projeto já conta com o apoio financeiro de mais de 170 empresas. Segundo o empreendedor, o projeto baseia-se em quatro pilares. As primeiras etapas envolvem a instalação de unidades demonstrativas, para apresentação de tecnologias e soluções para o campo, e de um ambiente para pesquisa agropecuária. Estão previstos ainda um complexo industrial e logístico e o chamado Instituto Cidade do Agro, instituição sem fins lucrativos que abrigará centro de eventos, hub de inovação, polo educacional, laboratórios e um Museu do Agro.

“Já temos algumas multinacionais que vão estar alocadas dentro da Cidade do Agro, trazendo as tecnologias que têm e validando no nosso ambiente, na nossa realidade. Estamos organizando a constituição do instituto até o final do ano (...), inclusive já temos projetos em andamento, voltados para captação de recursos. O complexo industrial e logístico também já existe, já realizamos as primeiras vendas dos lotes”, afirmou Ribeiro, acrescentando que estão sendo articulados acordos de cooperação com organismos de pesquisa públicos e empresas privadas.

Ao mencionar a localização estratégica do projeto na Metade Sul, próximo ao Porto de Rio Grande, e sua vocação produtiva, o empreendedor destacou as perspectivas econômicas abertas para o Estado pela expansão das energias alternativas, como o etanol derivado de cereais como arroz e milho, o SAF (combustível sustentável de aviação) e o hidrogênio verde. “Temos uma série de oportunidades. Queremos chegar nisto aqui: a pesquisa mais perto do mercado, o setor produtivo mais perto da inovação e a sociedade mais perto do entendimento e da confiança”, resumiu.

Lideranças do Sindienergia-RS destacaram a grande sinergia entre o agronegócio e as associadas à entidade, que incluem hidrelétricas, empresas de energia eólica, de biomassa e bioenergia.

“Quando vem o assunto da transição energética, as pessoas entendem que é ‘tirar o carvão e colocar uma (energia) solar’. Nós já somos quase 90% renováveis. A transição que precisamos provocar no Estado é a do transporte e do agro. E o Cidade do Agro traz uma inovação gigantesca para a Região Sul, que tem o potencial de desenvolvimento de diversas fontes renováveis, acesso à transmissão, boas academias, formação de mão de obra e o setor retroportuário”, disse a presidente do sindicato, Daniela Cardeal.

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