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CNA pede R$ 570 bilhões para custeio e investimento no Plano Safra 2024/2025

Suplementação de R$ 2,1 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) lidera a lista de dez prioridades apresentadas ao governo federal

João Martins (E) repassou pedidos do setor ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro
João Martins (E) repassou pedidos do setor ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro Foto : Wenderson Araújo / Trilux/CP

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou, nesta quarta-feira, ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, propostas prioritárias da agropecuária brasileira para o Plano Safra 2024/2025 - oficialmente conhecido como Plano Agrícola e Pecuário (PAP).

A CNA indicou dez pontos prioritários. A lista é liderada pelo pedido de suplementação de recursos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e solicita incremento de 56,5% nos recursos para equalização dos juros nos financiamentos de custeio e investimento. A proposta é de R$ 570 bilhões, ante o valor recorde de R$ 364,22 bilhões disponibilizado na safra passada.

O presidente da CNA, João Martins, recebeu Fávaro na sede da entidade, em Brasília, e entregou um documento de 51 páginas, elaborado em reuniões regionais com federações de agricultura e pecuária, sindicatos rurais, produtores e entidades. O Plano Safra 2024/2025 deve ser lançado ao final de junho e valerá de 1º de julho a 30 de junho de 2025.

Confira o documento da CNA na íntegra aqui.

O primeiro item da pauta é o pedido de suplementação de R$ 2,1 bilhões ao seguro rural em 2024 (totalizando R$ 3 bilhões com o aporte federal já previsto para a finalidade) e R$ 4 bilhões para 2025. Também constam das prioridades linhas de investimento, regulamentação da lei que criou o Fundo de Catástrofe e fomento do mercado de capitais e títulos privados, entre outros.

A entidade entende o seguro rural como um instrumento fundamental para mitigar da atividade. “No entanto, a insuficiência de recursos destinados à subvenção do prêmio do seguro rural agrava a situação, colocando em risco a segurança financeira dos produtores”, alerta.

Conforme a CNA, ao longo do último ano a agropecuária brasileira sofreu com a falta de recursos para a subvenção ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), acarretando um segundo ano consecutivo de redução na área coberta, após o recorde de cobertura de 2021.

“No ano passado, a área coberta com os recursos do programa foi de apenas 6,3 milhões de hectares, totalizando, com as apólices que não conseguiram aderir ao PSR, 11,4 milhões de hectares”, informou a entidade.

Dos R$ 570 bilhões calculados como necessários, a CNA sugere R$ 359 bilhões para custeio e comercialização (aumento de 32% em relação ao plano anterior), R$ 111 bilhões para investimentos (20,5% a mais) e R$ 100 bilhões para agricultura familiar (incremento de 28,7%). A entidade também pede garantia de que os recursos anunciados estejam disponíveis ao longo de toda a safra.

A CNA justifica a necessidade de mais dinheiro frente às incertezas geradas no campo em razão dos extremos climáticos decorrentes do fenômeno El Niño, que geraram impactos negativos em diferentes cadeias e reduziram a safra, especialmente de soja e milho, carros-chefes da produção agrícola nacional.

“Associados aos desafios climáticos, às projeções de redução nos preços dos produtos agropecuários e à manutenção dos custos de produção ainda em patamares elevados, os obstáculos enfrentados pelos produtores rurais ampliam-se, comprometendo as margens brutas do setor, o que coloca em xeque a viabilidade econômica de muitas atividades agropecuárias”, diz a CNA na introdução do documento.

Confira as dez propostas da CNA:

  1. Garantir suplementação de R$ 2,1 bilhões ao seguro rural em 2024 (totalizando R$ 3 bilhões) e R$ 4 bilhões para 2025.
  2. Disponibilizar R$ 570 bilhões em recursos financiáveis, sendo R$ 359 bilhões para custeio e comercialização, R$ 111 bilhões para investimentos e R$ 100 bilhões para agricultura familiar. Garantindo que os recursos anunciados estejam disponíveis ao longo de toda a safra.
  3. Priorizar recursos para investimento, principalmente aos pequenos e médios produtores (Pronaf e Pronamp) e aos programas para construção de armazéns (PCA), irrigação (Proirriga), inovações tecnológicas (Inovagro) e para sistemas de produção agropecuária sustentáveis (Renovagro).
  4. Reforçar o orçamento das Operações Oficiais de Crédito (OOC), sobretudo das subvenções de sustentação de preços e comercialização e custeio.
  5. Promover medidas regulatórias para ampliar as fontes de recursos do crédito rural, através de medidas que flexibilizem a aplicação das exigibilidades de crédito rural.
  6. Regulamentar a Lei Complementar nº 137/2020, que criou o Fundo de Catástrofe.
  7. Possibilitar o rebate de taxas ou aumento do limite financiável para produtores que promoverem práticas socioambientais.
  8. Promover adequações para evitar excessos e distorções na interpretação de resoluções, como a Resolução CMN nº 5.081/2023 e Resolução BCB nº 140/2021, que tratam de temas socioambientais, sem prejuízo do cumprimento da preservação ambiental.
  9. Fomentar o avanço do mercado de capitais e títulos privados do agronegócio, possibilitando aumentar o funding do setor.
  10. Coibir as práticas de venda casada e possibilitar a redução dos custos acessórios do crédito rural, sobretudo através de regulamentação e modernização do mercado registrador.

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