Ao mesmo tempo em que comemoram o avanço da colheita do arroz no Estado, que atingiu 39,63% da área semeada, orizicultores gáuchos manifestam preocupação com a queda nas cotações do cereal. De acordo com os dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), foram colhidos 385,4 mil hectares.
Nas cotações, o indicador para o arroz em casca de Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea Esalq/USP) e Irga, indica que a saca de 50 quilos (58% grãos inteiros, com pagamento à vista) acumulou baixa de 7,2%, encerrando a primeira quinzena de março a R$ 83,42. De acordo com Cepea, é o menor patamar desde julho de 2023
Ainda conforme o Cepea, nesta quarta-feira, 19, o preço da saca caiu para R$ 80,54, representando uma redução de 10,42% no mês. Na avaliação do Centro de Estudos, a baixa liquidez está relacionada ao aumento da oferta, “refletindo a necessidade de capitalização para cobrir os custos da colheita”. A diminuição ocorre “especialmente nas negociações ‘a retirar’, devido ao encarecimento do frete com a alta recente do diesel”.
Para a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) o declínio dos preços no mercado nacional é um “reflexo dos leilões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que desequilibraram o mercado”. Conforme a Federarroz, “o valor pago ao produtor encontra-se no ponto de equilíbrio na média do Estado, mas em diversas regiões não cobre os custos de produção, conforme tabela da Conab, que desconsidera a depreciação de maquinário e rubricas de mão de obra terceirizada”.
Favorável ao consumidor
A entidade salienta, em contrapartida, que a situação é favorável ao consumidor brasileiro. A Federarroz indica que “o Brasil está entre os 14 países com os menores preços de arroz no mundo, segundo o levantamento Price Rankings Numbeo”.
A federação destaca que a maioria dos países que compõem o ranking, incluindo Vietnã, China, Índia e Bangladesh, aplicam subsídios diretos na produção. No continente americano, apenas Brasil e Paraguai aparecem no ranking. Atualmente, o arroz está entre R$ 5 e R$ 6 por quilo na gôndola. Para a Federarroz, “não há alimento mais barato do que o arroz, que, com água e sal, transforma-se em uma refeição de menos de R$ 0,60 por prato”.
Dentro da normalidade
Entre as regiões arrozeiras do RS, a colheita é liderada Fronteira Oeste, com 60,2% da área semeada ceifada, seguida pela Planície Costeira Externa, com 46,68%, Planície Costeira Interna, com 40,59%, Campanha, com 29,69%, Região Central, com 24,97%, e Zona Sul, com 18,7%.
Segundo Luiz Fernando Siqueira, gerente da Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural do Irga, a Fronteira Oeste foi a primeira a iniciar a semeadura e atingir 50% da área semeada no Estado, consequentemente sendo a primeira a iniciar o processo de colheita. “A colheita está avançando dentro da normalidade, dentro da nossa expectativa”, avalia Siqueira.
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