Rural

Custo de produção aos produtores gaúchos sobe quase 5% em março

Apesar dos preços também terem aumentado, Farsul adverte que há “descasamento” entre os índices

No mês houve pressão sobre insumos como fertilizantes e defensivos, da mesma forma que em operações que dependem de diesel, como a colheita
No mês houve pressão sobre insumos como fertilizantes e defensivos, da mesma forma que em operações que dependem de diesel, como a colheita Foto : Wenderson Araujo / Trilux / Divulgação / CP

O conflito bélico no Oriente Médio provocou, em março, o aumento de 4,82% nos custos de produção aos produtores gaúchos. Foi o que apurou o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP), relatório elaborado mensalmente pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Sistema Farsul).

Assim, segundo o trabalho divulgado nesta quinta-feira, 23, a “alta expressiva” neutralizou a “série de deflações tanto no ano (agora em alta de 4,28%) quanto na série dos últimos 12 meses (agora em 1,49%).”

“Esse resultado é um reflexo direto do cenário geopolítico e dos bloqueios no Estreito de Ormuz, que colocaram pressão em insumos essenciais como fertilizantes e defensivos químicos, além de frete e operações que dependem de diesel”, informa o relatório.

“A dinâmica dos custos de produção se alterou de forma significativa em março. A elevação de 0,8% da taxa de câmbio, combinada com a forte alta de 39% no preço do petróleo, interrompeu o movimento de alívio observado no mês anterior e reverteu a trajetória recente dos custos”, acrescenta.

“O movimento reflete o agravamento do cenário geopolítico internacional e os efeitos do bloqueio do Estreito de Ormuz, com pressão direta sobre fertilizantes e defensivos químicos, além de aumento nos custos de frete e nas operações mecânicas, intensivas em diesel.”

Preços melhoraram

Já o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) registrou “sinais de recuperação” para algumas atividades.

“Os preços recebidos pelos produtores apresentaram recuperação em março, ainda que de forma heterogênea. O movimento foi puxado pelo arroz, sustentado pelo bom desempenho das exportações e por uma oferta abaixo do esperado, em função da revisão para baixo da produtividade diante do excesso de chuvas”, esclarece. “O boi gordo mantém trajetória de alta, reforçando a virada do ciclo pecuário, enquanto o trigo apresenta elevação típica do período de entressafra”, descreve.

Mesmo assim, o acumulado do ano ainda é de deflação, de 2,9%, da mesma maneira que a variação dos últimos 12 meses, de -11,91%, indicando que os preços permanecem em patamares inferiores aos do ano anterior.

E, apesar das quedas, o preço da alimentação para a população continua acumulando inflação mensalmente causada pelas pressões ao longo da cadeia produtiva, e não exatamente do preço recebido pelos produtores, lembra a Farsul.

“É importante destacar o descasamento entre o preço recebido pelo produtor e o preço ao consumidor, medido pelo IPCA. Enquanto o IIPR (preços ao produtor) ainda acumula queda relevante em 12 meses, os índices ao consumidor seguem pressionados, evidenciando que a inflação de alimentos não se origina no campo, mas sim ao longo das demais etapas da cadeia e da dinâmica macroeconômica”, adverte a entidade.