Rural

Emater/RS-Ascar alerta sobre a compactação do solo durante a Fenasoja

Análises apontam que nas regiões Fronteira Noroeste e Missões ocorre baixa capacidade de infiltração e armazenamento de água pela compactação e concentração de nutrientes na superfície

A situação dos solos da agricultura gaúcha tem sido analisada por diferentes iniciativas da Emater/RS-Ascar
A situação dos solos da agricultura gaúcha tem sido analisada por diferentes iniciativas da Emater/RS-Ascar Foto : Fernando Dias / Seapi / CP Memória

A situação dos solos na região que englobam Fronteira Noroeste e Missões tem sido foco de atenção de técnicos, pesquisadores e instituições de ensino e extensão rural. Levantamentos recentes apontam limitações importantes na capacidade de infiltração e armazenamento de água no solo, associadas, principalmente, à presença de camadas compactadas e à concentração de nutrientes na superfície.

Esse cenário motivou a realização da chamada Caravana da Infiltração da Água no Solo, uma iniciativa articulada pela Emater/RS-Ascar em parceria com instituições de ensino e pesquisa, que percorreu propriedades rurais para diagnosticar essas condições e subsidiar ações práticas no campo. As conclusões do trabalho serão apresentadas na feira Fenasoja, em Santa Rosa, no Seminário Regional de Solos, nesta quinta-feira, 7, no Palco Semear, a partir das 13h30.

“As verificações já feitas na região demonstram que há uma dificuldade nos solos armazenarem água, baixa infiltração pela existência de camadas compactadas e também localização de nutrientes muito na superfície”, descreve o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar Marco André Junges.

A caravana envolveu, além da Emater/RS-Ascar, Embrapa Trigo, de Passo Fundo, Sociedade Educacional Setrem, de Três de Maio, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Cerro Largo e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) – Campus São Luiz Gonzaga, avaliando 69 propriedades rurais.

“A maioria das áreas acabaram ficando em um intervalo desde 1 milímetro até 79 milímetros de água por hora”, detalha Junges sobre os resultados apresentados durante a feira, no Seminário Regional de Solos.

Essa preocupação com o solo também se expressa em uma das estações temáticas do espaço da Emater/RS-Ascar na Exporural, durante Fenasoja 2026, que segue até domingo, 10, no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson.

No local, os visitantes são convidados a refletir sobre o manejo adequado e a importância do solo para a sustentabilidade da produção. “Esse estande traz essa reflexão para os produtores que nos visitam, sobre a necessidade de olharmos com mais cuidado para o solo, que traz o sustento das famílias rurais”, destaca Junges.

Identificação da compactação

Um dos pontos abordados é a identificação de camadas compactadas. A partir de ações como o programa Operação Terra Forte, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), que atende 1.684 famílias, foram abertas trincheiras para análise do perfil do solo.

“Em mais de 80% das propriedades a gente percebe que de 0 a 10 centímetros nós temos uma camada solta, de 10 a 20 centímetros, 22 centímetros, uma camada mais dura, em algumas situações muito compactada”, explica.

Diante disso, a orientação é a seguinte: “Se necessário for, nós precisamos fazer uma intervenção mecânica na área para rapidamente quebrarmos aquela camada compactada”.

Além da escarificação, também são discutidas alternativas biológicas. “Nós podemos também trabalhar só com raízes, porém aí nós temos um tempo maior para fazer aquela descompactação”, destaca Junges.

Ele chama atenção ainda para o sistema produtivo predominante na região, com sucessão soja-trigo ou soja-aveia, e pouca presença de gramíneas de verão. “As gramíneas de inverno são especialistas em produzir palha, mas as gramíneas de verão são mais adequadas para produzir galerias no solo e essas galerias serão ocupadas pela água das chuvas”, explica.

Diagnóstico do solo

A estação também apresenta tecnologias que reforçam a importância do diagnóstico correto do solo. Um dos destaques é um equipamento motorizado acoplado a um quadriciclo, utilizado para coleta estratificada. “Esse equipamento faz a coleta de 0 a 10 cm, de 10 a 20 cm, 20 a 30 cm”, detalha, reforçando que “é muito importante que nós façamos esse tipo de verificação no solo”.

A mensagem central, conforme Junges, vai além da técnica. “Nós costumamos dizer que lá na propriedade rural o mais importante que existe são as pessoas, logo na sequência o solo”, afirma. Para ele, o cuidado com o solo é condição essencial para garantir a continuidade da produção e o bem-estar das famílias rurais.

Para tornar esses processos mais compreensíveis ao público, a estrutura conta ainda com um simulador de chuva, que permite observar a infiltração da água, assim como equipamentos trazidos pela UFFS que demonstram visualmente o movimento da água no solo. “É muito visual, muito interessante de se verificar, porque é isso que está demonstrado aqui, que acontece lá na lavoura”, conclui.

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