Iniciada na quarta-feira, 1º, no Rio Grande do Sul, a safra do pinhão deste ano deverá ser marcada por colheita menor na maioria dos municípios produtores, concentrados principalmente nas regiões da Serra, das Hortênsias e dos Campos de Cima da Serra, de acordo com a Emater/RS-Ascar. Ligado à cultura e tradição das regiões, o alimento tem papel importante na composição da renda e até no sustento das famílias que se dedicam ao seu extrativismo, destaca a empresa de assistência técnica.
A safra é prevista na Lei Estadual nº 15.915, que autoriza a colheita, transporte, comercialização e armazenamento da semente a partir de 1º de abril. A engenheira florestal Adelaide Juvena Kegler Ramos, da Emater/RS-Ascar Regional de Caxias do Sul, explica que a lei visa assegurar a proteção da araucária e da fauna associada, além de conciliar a geração de renda das famílias envolvidas na cadeia produtiva do pinhão. Por se tratar de uma espécie ameaçada de extinção, é vedado o corte de araucária nativa, que produz pinhas, ao longo dos meses de abril, maio e junho.
Na safra de 2025, foram colhidas em torno de 600 toneladas de pinhão no Estado. Neste ano, a colheita deve cair entre 12,5% e 60%. Alguns municípios, como Caxias do Sul, porém, devem manter os índices da safra anterior e, em Canela, a projeção é de produção até 100% em relação à do ano passado.
A redução da safra é atribuída às condições climáticas durante o período de reprodução e crescimento do pinhão - estiagens recorrentes nos últimos anos e chuvas abundantes no final do inverno e início da primavera.
“As oscilações de produção da Araucaria angustifolia são cíclicas. Como planta nativa, a espécie apresenta variações de produtividade, em média, a cada três anos", afirma a engenheira florestal.
São Francisco de Paula
Um dos maiores produtores, o município de São Francisco de Paula tem produção estimada em 120 toneladas em anos de safra normal. Para 2026, a colheita projetada é de cerca de 40 toneladas, ou seja, uma queda de mais de 60% em relação à safra anterior. O município reúne cerca de 160 famílias de agricultores familiares envolvidas na atividade de coleta e extração do pinhão.
Já Muitos Capões e Jaquirana, onde 70 e 160 famílias dedicam-se à atividade, respectivamente, estimam ambos produção de 120 toneladas, o que representa uma queda de 20% em relação à última safra. Cambará do Sul, com cem famílias produtoras, deve colher 36 toneladas, 40% menos que no ano passado.
Bom Jesus, com previsão de colheita de aproximadas 35 toneladas, envolvendo 120 famílias, prevê uma redução na produção de cerca de 30%; já São José dos Ausentes, com uma produção estimada de 30 toneladas e 90 famílias envolvidas, prevê diminuição de 50% na produção.
Comercialização até junho
De acordo com a Emater/RS-Ascar, na região da Serra, as variedades mais precoces estão em fase de maturação e debulha, e as mais tardias, em desenvolvimento da semente. Toda a colheita é manual e a cadeia produtiva tem poucas iniciativas de beneficiamento, industrialização e armazenamento. A comercialização é concentrada no período de abril a junho, podendo estender-se até agosto em regiões com variedades tardias.
Para os preços, as estimativas de preços variam conforme o município e a modalidade de venda, feita praticamente toda de forma informal e na forma in natura. Na Serra, o valor parte de R$ 5 o quilo, no caso de produto entregue aos intermediários, e até R$ 16 em supermercados, feiras e outros.
O beneficiamento da semente na forma de pinhão moído ou de paçoca agrega valor ao produto, que pode chegar a R$ 20 ou R$ 30 o quilo. O preço mínimo pago ao extrativista de pinhão neste ano, conforme a Portaria do Mapa nº 868, de 01/12/25, é de R$ 4,63 por quilo.
- Próximos dias terão alternância entre tempo firme e instável
- Setor do tabaco avança em práticas de conservação do solo
- Azeite novo com preço unificado durante a Abertura Oficial da Colheita da Oliva
