A presença de jovens nas propriedades rurais é importante para a evolução do agronegócio. Evitar a migração das novas gerações para os centros urbanos, porém, continua sendo uma das grandes dificuldades enfrentadas principalmente na agricultura e na pecuária familiar. Esse desafio é o tema de uma pesquisa lançada no último dia 1º pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS) e pelo Instituto de Formação Sindical Irmão Miguel (IFSIM), em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).
A sondagem ouvirá mais de mil jovens de 16 a 29 anos em 34 municípios da região central do Estado, diz a primeira secretária da Fetag-RS e coordenadora da área de Juventude Rural e Educação do Campo da entidade, Camila Rode. A meta, segundo ela, é identificar as políticas públicas mais eficazes para manter o jovem na atividade agropecuária, uma vez que as razões mais comuns da sua migração para as cidades já são conhecidas. Entre os motivos estão, por exemplo, a falta de perspectivas de educação continuada e de perspectivas econômicas na zona rural. “Hoje, as políticas públicas para acesso à geração de renda ainda não dão o dinamismo necessário para que o jovem permaneça no campo. Muitas vezes, ele acessa outras políticas que não são específicas para o seu sujeito”, afirma Camila.
Atualmente, a juventude rural é contemplada em programas federais como o Pronaf Jovem e o Pronaf Mais Alimentos e o estadual Feaper Juventude. Segundo a coordenadora, o projeto não abordará apenas as oportunidades de acesso a crédito.
“Quando a gente fala em políticas públicas, é também olhando para a justiça climática, para a questão da diversidade no campo, as relações culturais, infraestrutura, tudo o que remete ao meio rural como modo de vida”, detalha Camila.
Segundo a Fetag-RS, o projeto foi contemplado com financiamento de R$ 200 mil do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio de edital realizado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social. Coordenada pelo professor José Marcos Froehlich, da UFSM, a ação será desenvolvida ao longo de dois anos, com a participação de professores universitários, pós-graduandos, bolsistas de graduação, cerca de 30 sindicatos de trabalhadores rurais e agricultores familiares. Além da aplicação de questionários, estão previstos seminários e eventos microrregionais com cerca de 150 jovens.
Camila destaca que a solução para o dilema da sucessão na liderança das pequenas propriedades familiares depende de se garantir ao jovem autonomia, participação na renda e na gestão. “Ele não pode ser visto como uma mão de obra barata”, diz. Atenção especial deve ser dada à presença feminina nesse meio, afirma a coordenadora. “As meninas são as que menos efetivam a sucessão rural. São as mais propícias a sair e buscar outros espaços, porque (o campo) ainda é um ambiente mais masculino”, observa.
