O produtor Clemir Barilli, de Saldanha Marinho, teve perda total na produção do parreiral de meio hectare, uva que seria transformada em vinho para consumo próprio, em razão das geadas dos últimos dias.
Da mesma forma, há relatos pelo Estado de perdas causadas pelo fenômeno em lavouras de trigo, canola e até milho de verão recém emergido.
“As parreiras estavam em um estágio em que já tinham o cacho formado, então a perda é de 100%. Depois que ela solta o cacho, não vai colocar de novo. Ela vai brotar, mas o fruto, o cacho, não bota duas vezes. Como já estava tudo com o cacho aparente, a geada queimou”, conta Barilli.
“O pé não vai morrer, vai rebrotar, mas vai ser somente com broto. A fruta não produz duas vezes.”
O produtor lembra que os parreirais brotaram no momento em que tiveram a condição para o broto, ou seja, não teve relação à época da poda. “Ela brotou na época dela e a geada aqui foi fora de época, então pegou em cheio.”
Barilli também teve prejuízos em 50 hectares de trigo e em outros 50 de canola.
“Aqui também tinha trigo em floração. O dano precisa de uns dias ainda para contabilizar, porque no trigo não aparenta de um dia para o outro. Precisa de mais uns quatro dias para mostrar a quantidade do dano”, menciona.
“E na canola já foi acionado o seguro, porque também vai ter um dano grande. Essa tinha seguro, o trigo não. Então, vai ser um prejuízo bem grande. Mas é isso aí. Não é o primeiro ano e não vai ser o último”, relata.
E no arredores de Saldanha Marinho outros agricultores enfrentam a mesma situação.
“Aqui na região vai ter muitos produtores com muito prejuízo. Alguns, dependendo da localização, com 100% em todas as culturas. Outros, com mais altitude (da lavoura) em suas propriedades, nem tanto”, complementa.
“Milho também. Quem tinha plantado em agosto vai ter prejuízo; quem plantou em setembro, não, pois em estágio pequeno ele rebrota, e com estágio maior o ponto de crescimento, já fora da terra, aí não brota mais”, acrescenta.
Levantamento em elaboração
A Emater/RS-Ascar ainda está elaborando o levantamento dos efeitos das geadas nas diferentes regiões do Estado, mas Alencar Rugeri, gestor da Área de Culturas Anuais da instituição, tem recebido informações sobre ocorrências.
Segundo ele, as perdas no trigo têm ocorrido nas lavouras em que o cereal está na fase mais vulnerável ao fenômeno, que é a de florescimento e a de enchimento de grãos.
“Têm partes de lavouras que você perdeu e partes que não perdeu. Então, é extremamente cedo (para uma avaliação)”, revela.
Ele lembra que apesar de ser uma cultura de cultivo no inverno, quando o cereal está na fase de enchimento de grãos sempre há a possibilidade de estragos provocados pela geada. “Mas há relatos, sim, informações sobre essas perdas. Mas a dimensão é muito difícil quantificar, o tamanho dessas perdas.”
O técnico revela ter recebido relatos de todas as regiões, mas diz não acreditar que a quebra seja “tão generalizada”. “Depende do estágio da cultura e da intensidade da geada, estes dois fatores”, reitera.
Em relação à canola, Rugeri explica que a cultura deve ter perdas menores por ter um ciclo reprodutivo mais extenso, enquanto os danos também variam conforme a época de plantio. “Vai ter prejuízo, possivelmente, para (alguns) produtores, mas não para municípios inteiros”, analisa.
E no caso do milho, os prejuízos são ainda mais pontuais, porque a época ainda é de crescimento da cultura abaixo de solo. “Ou seja, se a geada causou dano, ele (milho) tem um potencial de restabelecer essa condição. Mas não acredito em muito dano em relação ao milho. Vai ter um prejuízo porque (a cultura) perdeu energia, mas entre perder um pouco de energia e perder a lavoura, ele pode se restabelecer. As condições climáticas lá na frente poderão ser mais adequadas.”
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