Rural

Mais chuvas sobre as lavouras gaúchas até julho

Previsão para o clima no trimestre a partir do mês que vem é do Inmet, conforme meteorologista do Irga

Meteorologista esclarece que os períodos prolongados sem chuvas deverão diminuir ao longo do outono
Meteorologista esclarece que os períodos prolongados sem chuvas deverão diminuir ao longo do outono Foto : Joseane Mesquita / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê aumento no volume das precipitações no Rio Grande do Sul no trimestre de maio a julho. O primeiro desses três meses teria anomalia – ou seja, a diferença entre o valor previsto e a média histórica – positiva em todas as regiões, enquanto junho seguiria com anomalia positiva, principalmente na Metade Norte. E julho se manteria com anomalia positiva entre o Noroeste e o Oeste do RS. E as demais regiões ficariam com chuvas próximas à Normal Climatológica (NC), a média das condições do clima.

As informações são da meteorologista Jossana Ceolin Cera, consultora técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), veiculadas em artigo no site da instituição. Já o consenso do International Research Institute for Climate Society (IRI) indica precipitação próxima aos valores da Normal Climatológicano, revela Jossana. E o modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA (a agência científica do governo americano responsável por estudar e monitorar os oceanos, a atmosfera e o clima), prevê precipitações abaixo da NC em praticamente todo o Estado.

“A previsão de precipitação acima da média já agora em maio e junho não é reflexo do El Niño, pois ele não está formado. Essa condição poderá ser explicada por possíveis situações de bloqueio atmosférico e, também, pelo aquecimento da região Niño1+2, tem relação mais rápida com as chuvas no RS”, explica a meteorologista.

“O El Niño ainda não está formado, mas o Oceano Pacífico Equatorial já está em fase de aquecimento. Ou seja, o outono deverá ser marcado pela transição entre a neutralidade e o El Niño. Logo, é esperado que, gradualmente, as precipitações fiquem mais frequentes e ocorram em maior volume”, acrescenta.

| Foto: Inmet / Adaptação Irga / Divulgação / CP

Trabalhos no campo

“A previsão do Inmet preocupa um pouco, sobretudo nessa primeira metade do outono, pois o Rio Grande do Sul está em fase final da colheita da safra de verão. Então, a recomendação é de que a colheita seja feita logo que houver condições favoráveis”, avalia a especialista.

E, conforme Jossana, assim que as colheitas de verão forem finalizadas, é importante ao produtor ficar atento aos períodos secos, para já realizar os preparos de solo e/ou a implantação de pastagens ou coberturas de solo no outono-inverno, pois os períodos prolongados sem chuvas deverão diminuir ao longo do outono.

“O preparo antecipado das áreas para a safra 2026/27 também deve ser priorizado, pois o final do inverno e a primavera deverão ser chuvosos no RS, por conta do El Niño”, sugere.

Jossana ainda recomenda o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (de sete a 15 dias) como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do Estado nos próximos meses.

Precipitações em março

Ela também lembra que como em janeiro e fevereiro, o mês de março também foi de pouca chuva no Rio Grande do Sul. A maior parte das regiões teve acumulados variando entre 40 e 120 milímetros (mm). Apenas no extremo norte do Estado os acumulados passaram dos 160 mm. As anomalias de precipitação foram negativas na maioria das regiões. Já a Zona Sul e a região metropolitana ficaram com anomalia de precipitação acima dos valores da Normal Climatológica (NC).

“A frequência das precipitações foi baixa no Oeste e mais alta no Sul e no Leste. As temperaturas mínimas e máximas oscilaram bastante mas, no geral, a média mensal ficou acima dos valores da NC, inclusive com alguns dias com temperaturas máximas superiores a 35°C”, descreve.

Fim do La Niña

E segundo a atualização da NOAA, de 9 de abril, o sistema acoplado oceano-atmosfera, no Oceano Pacífico Equatorial, refletiu as condições Neutras do ENOS (El Niño – Oscilação Sul), ou seja, oficialmente, a La Niña terminou. Em sua última atualização, avalia, a NOAA prevê que o período neutro deve prevalecer ainda no trimestre abril-maio-junho, com 80% de probabilidade.

Já a probabilidade para o desenvolvimento do El Niño cresceu para 61% para o trimestre maio-junho-julho, e passa de 80% a partir do trimestre junho-julho-agosto. Além disso, a NOAA passou a divulgar a intensidade dos fenômenos de forma mais clara e autoexplicativa. Para o trimestre setembro-outubro-novembro há 26% de probabilidade do El Niño ser forte (anomalia entre +1,5 a +1,9°C) e 15% de ser muito forte (anomalia superior a +2,0°C).

“Desde março, um bolsão de águas subsuperficiais com anomalias positivas de temperatura passou a predominar na região equatorial. Essas águas mais quentes já estão em processo de afloramento na superfície do Pacífico Leste, e é o que dará sustentação para o desenvolvimento do futuro El Niño nos próximos meses”, relata. “Aliás, a semana de 12 a 18 de abril foi a primeira em que a região do Niño 3.4 registrou anomalia em limite de El Niño, com +0,5°C. Na região Niño 1+2, já são 11 semanas em que esse limite foi passado.”

Veja Também