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Meteorologia prevê futura chegada de El Niño

Conforme meteorologista do Irga, o fenômeno tem 61% de ocorrer a partir do trimestre setembro-outubro-novembro. Antes, em março e maio as chuvas deverão ser normais em boa parte do RS, mas em abril abaixo da normalidade

Para os próximos meses ainda podem ocorrer momentos de estiagem curta, mas espera-se que as chuvas, gradualmente, voltem a ficar mais regulares
Para os próximos meses ainda podem ocorrer momentos de estiagem curta, mas espera-se que as chuvas, gradualmente, voltem a ficar mais regulares Foto : Divulgação / CP

O mês de janeiro foi de pouca chuva no Rio Grande do Sul. Os acumulados variaram entre 40 e 160 mm, na maioria das regiões. Mas alguns locais tiveram acumulados abaixo dos 40 mm, apenas o extremo Nordeste que superou os 160 mm. As anomalias de precipitação foram negativas na maior parte do Estado, com exceção do Litoral Norte. As informações são da meteorologista Jossana Ceolin, consultora técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em texto publicado nesta segunda-feira no site da instituição.

Conforme ela, a frequência das precipitações foi muito baixa em janeiro, na Metade Sul, e com baixos acumulados. “Inclusive, em Uruguaiana e em Bagé só choveu no início do mês, o que gerou uma situação de estiagem mais grave para as regiões da Fronteira Oeste e da Campanha.

Nas demais regiões, houve mais episódios de chuva, mas foram igualmente em baixos volumes. As temperaturas máximas e mínimas do ar oscilaram com valores próximos à Normal Climatológica (NC), com maior elevação no final do mês, na maioria das regiões. A exceção foi o Sul do Estado”, descreve.

Conforme Jossana, no último dia 12 o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), o organismo dos Estados Unidos ligado à meteorologia e estudos oceânicos, destacou que o sistema acoplado oceano-atmosfera, no Oceano Pacífico Equatorial, permaneceu consistente com a ocorrência de La Niña.

Em janeiro, a anomalia mensal da temperatura da superfície do mar, na região Niño 3.4, foi de -0,5°C, sendo o quarto mês consecutivo com anomalia em limite de La Niña. Já a região Niño 1+2 esteve com anomalia de -0,3°C. A anomalia trimestral, referente ao trimestre novembro-dezembro/2025 e janeiro/26, foi de -0,5°C, o terceiro trimestre seguido com anomalia em patamar de La Niña.

Neutralidade

“Em sua última atualização, a NOAA prevê o retorno da neutralidade para o trimestre fevereiro-março-abril/2026, com 60% de probabilidade, e que deverá se manter até o trimestre junho-julho-agosto, com 56%. Já a tendência para o desenvolvimento de um El Niño manteve-se em 61%, só que para um trimestre à frente, setembro-outubro-novembro”, afirma a meteorologista.

“É preciso cautela quanto às previsões feitas durante o outono, visto que possuem maior incerteza. Contudo, mudanças já estão sendo observadas quanto aos ventos e às temperaturas das águas no Oceano Pacífico Equatorial, que estão mais aquecidas nas últimas semanas. Aliás, a anomalia da temperatura da água na região Niño 1+2 esteve em +0,7°C na semana do dia 11 de fevereiro de 2026”, acrescenta.

Ela explica que o bolsão de águas subsuperficiais com anomalias negativas de temperatura praticamente não existe mais. O que aumentou, significativamente, foi a área com anomalias positivas. Essas águas já estão aparecendo em superfície, visto que há anomalias positivas próximo à costa Oeste da América do Sul, como mencionado acima.

Ainda déficit de chuva

Para este trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica déficit de chuvas para quase todo o RS, mas com o pior cenário para o Noroeste; já na Zona Sul e no Leste, a previsão é de que as precipitações tendem a ficar dentro da média. O modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, também prevê precipitações abaixo da Normal Climatológica (NC) em boa parte do RS, com exceção da Zona Sul e do Leste, para março e abril; para maio, a tendência é de precipitações próximas à NC.

“A previsão do modelo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de que as precipitações fiquem dentro da Normal Climatológica (NC) em grande parte do Estado em março, com exceção da faixa Leste e extremo Norte, onde podem ficar abaixo”, prevê Jossana. “Para abril, a tendência é de que as precipitações fiquem abaixo da NC em todo o Estado. Já para maio, a tendência é de precipitação dentro da NC em boa parte do RS, podendo ficar acima no Noroeste, no Norte e em parte do Centro e do extremo Sul.”

De acordo com Jossana, embora ainda haja resquícios do resfriamento, o fim da La Niña está bem próximo de ser anunciado pela NOAA, “provavelmente na próxima atualização, no início de março”.

Chuvas “manchadas”

“Nesta safra e, mais precisamente, neste verão, o RS teve ocorrência de chuvas bem ‘manchadas’, tanto que algumas regiões tiveram poucos momentos críticos em relação a falta de chuvas. Para os próximos meses, ainda podem ocorrer momentos de estiagem curta, mas espera-se que as chuvas, gradualmente, voltem a ficar mais regulares, assim como deveremos observar o ingresso das primeiras massas de ar mais frios, típicas do outono”, afirma.

A meteorologista destaca que neste atual trimestre o produtor fará a colheita do arroz irrigado e da soja. E, para tanto, deve priorizar os períodos de tempo seco para a atividade, a fim de minimizar perdas por chuva em excesso e/ou temporais.

“Recomenda-se o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias) como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses”, sugere.

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