Faltando apenas percorrer o Rio Grande do Sul, o penúltimo levantamento parcial do 23ª edição do Rally da Safra confirma a previsão recorde para a produção brasileira de soja, estimada em 183,1 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026, volume 6,4% superior ao da última temporada. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5) pela Agroconsult, organizadora da expedição responsável pelo acompanhamento técnico e presencial das lavouras.
Mesmo sem ter analisado ainda in loco as lavouras gaúchas, que deve receber a expedição nos próximos dias, a Agroconsult já contabiliza perdas consolidadas em 2 milhões de toneladas no Estado. A irregularidade das chuvas entre janeiro e fevereiro, especialmente no sul e na região das Missões, comprometeu o potencial produtivo. O Estado é o último a receber as equipes do Rally da Safra, na etapa considerada decisiva para a consolidação dos números.
No atual levantamento, a consultoria informa que o novo número de safra de soja no país representa um acréscimo de 850 mil toneladas sobre a projeção inicial, divulgada na largada do Rally, em janeiro. A produtividade estimada passou a ser de 62,5 sacas por hectare. A área plantada permanece estimada em 48,8 milhões de hectares, crescimento de 2,1% em relação à temporada anterior, conforme mapeamento por satélite realizado pela Agroconsult, com apoio da ferramenta Cropdata.
Onze estados visitados
Desde o início da expedição técnica, em janeiro, as equipes do Rally percorreram mais de 40 mil quilômetros em onze estados e o Distrito Federal: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia, Tocantins, Pará, Maranhão, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. Mais de 1,2 mil lavouras foram avaliadas. As perdas no Rio Grande do Sul foram compensadas principalmente pelos resultados do Mato Grosso e Paraná.
“A safra poderia ser ainda maior se houvesse mais chuvas no Rio Grande do Sul e se não tivesse ocorrido excesso de chuvas em janeiro e fevereiro que provocou perda de produtividade e qualidade da soja no Mato Grosso, em Goiás e Minas Gerais, frustrando produtores que estavam com a safra praticamente pronta”, explica André Debastiani, coordenador geral do Rally. Caso as chuvas persistam pode haver impacto no peso final da soja, com reflexos na produtividade média.
Até 26 de fevereiro, a colheita alcançava 44% da área plantada no país – em igual período do ano passado, estava em 52%. Um grupo de nove estados apresenta ótimo potencial produtivo – acima de 62 sacas por hectare: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rondônia e Bahia.
Faltando menos de um mês para o término das avaliações de campo, a equipe da Agroconsult seguirá monitorando as condições climáticas e indicadores como o peso dos grãos que chegam aos armazéns, fatores que podem impactar os números finais. “A cada dia que passa, o cenário pode ainda ser alterado”, afirma Valmir Assarice, coordenador técnico do Rally da Safra, destacando que a consolidação dos dados trará uma visão definitiva sobre o potencial produtivo da safra brasileira.
