Rural

PIB-Bio recua quase 1% e totaliza R$ 2,5 trilhões

Para observatório da FGV que realiza estudo, indicador deve voltar a ter resultado positivo em 2023 com impulso da agricultura

O Produto Interno Bruto da Bioeconomia (PIB-Bio) no país – que engloba as atividades de origem vegetal, florestal e animal, de bioindústrias e do chamado setor bio-based (com viés biológico) – somou R$ 2,5 trilhões no ano passado. O resultado indica uma queda de 0,73% em comparação com o de 2021, interrompendo uma série de crescimento que vinha sendo observada desde 2017. Os dados são do Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo o centro de pesquisas, o indicador reflete, em parte, a desaceleração da economia brasileira e o impacto de aumentos de custos de produção, decorrentes da guerra entre Rússia e Ucrânia. Ambas as nações são grandes produtoras de grãos, e o país euroasiático é o principal fornecedor de fertilizantes usados na agricultura brasileira.

Segundo o pesquisador Cícero Zanetti de Lima, um dos responsáveis pelo estudo, o desempenho negativo do PIB-Bio foi influenciado pela retração de 3,62% das atividades de origem vegetal e florestal no ano passado. O segmento responde por 30% do PIBbio. “Isso foi puxado basicamente pelas quebras de safras do ano passado. Se você tem menos produção, tem mais custos, então acaba freando um pouco a cadeia (produtiva)”, explica.

Também pesou no desempenho mais fraco a atividade da bioindústria, que tem participação de 50% no PIB-Bio e recuou 0,74% no período analisado. “Este não é um grupo homogêneo. Você tem a indústria de alimentos e bebidas, que cresceu cerca de 1% em termos reais (em 2022). Mas outras atividades, por exemplo, têxteis, tiveram forte retração, por conta dos custos maiores de produção, e isso acabou puxando toda a bioindústria para baixo”, afirma Lima.

Em contrapartida, a bioeconomia de origem animal e a indústria bio-based, que representam 19% do PIB-Bio, avançaram 2,56% e 5,85%, respectivamente, em 2022. Nesse mercado, explica o pesquisador, são consideradas todas as indústrias que usam recursos biológicos em alguma etapa do seu sistema de produção. “Esse segmento vem de três anos consecutivos de crescimento real. Isso é puxado pela indústria farmacêutica, pela indústria de cosméticos e também pela geração de energia”, destaca Lima.

Para 2023, ele projeta um resultado positivo do PIB-Bio, impulsionado principalmente pela agricultura e pela indústria de alimentos, mas pondera que o desempenho também dependerá da dinâmica do consumo interno. “As cadeias já estão se reestabilizando e absorvendo os efeitos da guerra e tentando controlar os imprevistos de custos”, diz Lima. Segundo o pesquisador, o conceito de bioeconomia utilizado no estudo, que contempla algumas atividades componentes do agronegócio, envolve todo o estoque, o uso e a transformação de recursos naturais e biológicos no país, sem levar em consideração critérios de sustentabilidade. “Então, se você tem um insumo biológico e vende, transforma ele na indústria farmacêutica, por exemplo, a gente entende que isso faz parte da bioeconomia”, observa.