As cotações do arroz no Rio Grande do Sul deverão se manter entre R$ 80 e R$ 82 a saca de 50 quilos no curto prazo, valores que são sustentados pela retenção de vendas dos produtores. A projeção é da consultoria Safras & Mercado.
“Uma nova alta dependerá da combinação entre recuperação cambial, Chicago ao menos preservando os níveis atuais, melhora na exportação e mercado interno mais aquecido”, avalia o analista Evandro Oliveira.
Mas, em sentido contrário, a ausência de novos contratos, as importações elevadas, a necessidade crescente de caixa e o avanço satisfatório da safra poderão ampliar a oferta e limitar a valorização dos preços, acrescenta.
Segundo a consultoria, na Fronteira Oeste os preços permanecem entre R$ 80 e R$ 82, enquanto o porto mantém indicações próximas de R$ 90 para determinadas operações. E os produtores capitalizados evitam ampliar as ofertas, restringindo a disponibilidade de produto, enquanto parte dos vendedores comercializa apenas o necessário para financiar a safra 2026/27.
A resistência dos produtores encontra respaldo na estrutura de custos, informa. Conforme o levantamento mais recente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), os gastos podem chegar a R$ 90/saca no Rio Grande do Sul.
“Esses valores não devem ser generalizados, mas mostram que R$ 80 a R$ 82 cobrem operações sem assegurar remuneração integral”, avalia Oliveira.
Na semana passada o mercado brasileiro encerrou em acomodação, com baixa liquidez, referências parcialmente nominais e forte retração vendedora.
Recuperação mais devagar
Segundo Oliveira, a recuperação que levou os preços do arroz em casca de menos de R$ 60 para mais de R$ 80 por saca “perdeu velocidade, mas ainda não se transformou em uma reversão baixista.”
E do lado comprador, destaca Safras, a indústria precisa adquirir matéria-prima, mas enfrenta dificuldades para aceitar os preços pedidos sem comprometer as margens do produto beneficiado.
“O varejo ainda digere estoques anteriores, as importações processadas ampliam a concorrência e predominam reposição de passagem e lotes de oportunidade”, observa o analista.
“A exportação segue indispensável para administrar os elevados estoques brasileiros, embora a programação portuária de outubro tenha perdido ritmo. Resta apenas um embarque de aproximadamente 35 mil toneladas de arroz em casca”, complementa a consultoria.
“Dados parciais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), até a segunda semana do mês, apontam exportações de cerca de 58 mil toneladas e importações de 49,4 mil toneladas, em base casca, resultando em um leve superávit de 8,7 mil toneladas.”.
O dólar acumulou três pregões consecutivos de valorização, recuperando parte do suporte à paridade exportadora. Em Chicago, os preços permanecem praticamente estáveis, em níveis elevados, com o contrato mais próximo ao redor de US$ 17,25 por quintal curto e a posição março de 2027 em US$ 18,03.
“A combinação melhora a capacidade potencial de pagamento das empresas exportadoras, mas ainda precisa converter referência financeira em contratos, originação e novos embarques”, destaca Oliveira.
E nas lavouras gaúchas, segundo o Irga, o plantio estava na semana passada em um terço da área prevista.
Entre as regiões produtoras, a Fronteira Oeste apresentava o maior volume de área semeada, com 162.947 hectares, correspondentes a 65,81% da intenção regional. Na sequência, a zona Sul registra 75.768,60 hectares semeados, atingindo 52,11% da área prevista.
Nas demais regiões, a Planície Costeira Externa contabiliza 14.905 hectares semeados, o equivalente a 14,59% da intenção; a Planície Costeira Interna soma 13.248 hectares (10,29%); a Campanha registra 10.155,11 hectares (8,34%); e a Região Central, 5.848 hectares, correspondentes a 5,09% da área prevista.
Chuvas excessivas, solos encharcados, inundações e janelas mais curtas de trabalho continuam limitando os trabalhos nas Planícies e na Região Central, ressalta a consultoria.
“Semeadura não significa estabelecimento consolidado. Emergência, uniformidade, temperatura, luminosidade e nível tecnológico continuarão definindo produtividade”, adverte Oliveira.
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