Em meio ao aumento de casos suspeitos por intoxicação por metanol no Brasil, a Anvisa está acionando autoridades internacionais para garantir o fomepizol, um antídoto para o problema. A Agência integra a Sala de Situação sobre o tema instalada pelo governo federal e atua em parceria com o Ministério da Saúde em ações estratégicas.
O fomepizol é considerado o tratamento de referência contra o metanol porque age bloqueando a transformação da substância em metabólitos tóxicos, responsáveis por danos graves ao sistema nervoso e ao fígado. Ele não tem disponibilidade no mercado nacional.
A Agência já consultou formalmente autoridades reguladoras internacionais sobre a autorização de comercialização do produto em seus respectivos países. As agências consultadas são:
- ANMAT (Argentina)
- COFEPRIS (México)
- EMA (União Europeia)
- FDA (Estados Unidos)
- Health Canada (Canadá)
- MHLW (Japão)
- MHRA (Reino Unido)
- NMPA (China)
- Swissmedic (Suíça)
- TGA (Austrália)
Além disso, foi publicado um edital de chamamento para identificar fabricantes e distribuidores internacionais com disponibilidade imediata de fornecimento do medicamento ao Ministério da Saúde. O objetivo é acelerar a aquisição do produto e garantir o atendimento aos pacientes no menor tempo possível.
Aumento de casos de intoxicação e o que é o metanol
Em coletiva nessa quinta-feira, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha destacou que aumentou para 59 o número de notificações envolvendo intoxicaçaõ por metanol em território brasileiro.
Dentre as 59 notificações, 11 já tiveram a detecção laboratorial da presença de metanol. A distribuição dos registros por estado é a seguinte:
- São Paulo: 53 notificações
- Pernambuco: 5 notificações
- Distrito Federal: 1 notificação
Mortes por metanol
- Uma morte foi confirmada por intoxicação por metanol após consumo de bebida adulterada (com laudo e confirmação de ingestão de bebida adulterada) - um homem de 54 anos residente na capital paulista
- Cinco mortes estão sob investigação (sem laudo e sob investigação das circunstâncias) - três na cidade de São Paulo (homens de 45, 50 e 70 anos) e duas em São Bernardo do Campo (dois homens de 49 e 58 anos de idade).
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O metanol é um álcool usado em solventes e outros produtos químicos, sendo extremamente perigoso quando ingerido. Ele pode atacar o fígado, cérebro e o nervo óptico, levando a cegueira, coma e em casos extremos a morte.
Como medida de prevenção para quem frequenta festas, bares e eventos, o ministro da Saúde orientou a população sobre cuidados essenciais. “Como ministro da Saúde e médico, posso dizer que temos três regras em relação às bebidas alcoólicas: se beber, não dirija; se beber, mantenha-se hidratado e bem alimentado, pois isso reduz os impactos de uma bebida adulterada; e, se for beber, certifique-se da segurança da origem, verificando se o lacre está intacto”, alertou.