Saúde

Caminhada marca mobilização de profissionais do Grupo Hospitalar Conceição para melhores condições de trabalho

Ato entre essa terça e quarta-feira, organizado pela Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (ASERGHC) e o SindiSaúde-RS, exigiu melhorias salariais, jornadas reduzidas e condições dignas trabalhistas

Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (ASERGHC) e o SindiSaúde-RS realizam uma caminhada de reivindicações no trabalho
Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (ASERGHC) e o SindiSaúde-RS realizam uma caminhada de reivindicações no trabalho Foto : Ricardo Giusti

Uma caminhada marcou o último dia de mobilização da Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (ASERGHC) e o SindiSaúde-RS, em alusão à Semana da Enfermagem. O trajeto partiu do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) e finalizou no Hospital Cristo Redentor (HCR). Entre as principais reivindicações, os profissionais exigem melhorias salariais, jornadas reduzidas e condições dignas de trabalho. Eles alegam jornadas exaustivas, assédio moral, sobrecarga, terceirizações dos setores, falta de suprimentos e adoecimento físico. Com o lema "Transforme sua indignação em ação", os profissionais convocaram categorias do GHC em mobilização, que iniciou nesta terça-feira, 13, às cinco da manhã, e encerrou nesta quarta.

“A gente está sofrendo inúmeros ataques de retirada de direitos pela instituição, que estão impactando nos diversos setores, inclusive na enfermagem. Há uma falta de pessoal muito grande aqui dentro do hospital. Tem colegas que estão assumindo escalas de trabalho duplas ou triplas”, afirma Graziela Machado Palma, diretora de comunicação da ASERGHC e vice-presidente do SindiSaúde-RS.

A profissional, que é técnica de segurança do trabalho no GHC e trabalhadora do Hospital Cristo Redentor, afirma que as equipes estão defasadas em diversos setores. “Tem colegas da enfermagem, por exemplo, assumindo escalas onde deveria ter dois, três colegas trabalhando. Os colegas estão virando noite seguidas”, denuncia Graziela. “Estamos cobrando então que tenha mais pessoal para trabalhar, porque é isso que dá o atendimento digno aos usuários do SUS, já que nosso nosso grupo escolar é 100% SUS. Queremos garantir isso, inclusive”, acrescenta.

Entre as outras demandas, os profissionais estão contra a terceirização de setores no Grupo Hospitalar. “Nós estamos no hospital 100% público. A gente sabe o que significa a terceirização, é precarização de condições de trabalho. As empresas terceirizadas assumem e deixam os trabalhadores a ver navios, não pagam o salário corretamente, não dão equipamento de proteção individual adequado. O trabalhador se acidenta e não tem registros, não ganha vale alimentação e transporte como deveria”, detalha. As críticas também envolvem a proposta do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) do GHC, que, segundo a categoria, representa perda salarial e exclui várias categorias.

As situações de assédio também são pautas da categoria. “Os colegas estão sendo assediados cada vez mais aqui dentro, e os canais oficiais da empresa não são efetivos, não dão retorno, são morosos. Os colegas acabam desistindo das denúncias e muitas vezes têm medo de denunciar”, diz Graziela.

As lutas também envolvem a busca por atendimentos de profissionais dentro do próprio GHC, que, de acordo com Graziela, não estão tendo acesso, e sendo enviados para unidades de pronto atendimento. “A gente sabe que os colegas da UPA estão sobrecarregados lá, com lotação de 350%. Poderia ser por unidade hospitalar, hoje não é mais assim”, diz.

Ela ainda afirma que os diálogos com a diretoria do GHC têm melhorado recentemente, mas ainda passam por entraves. "Passamos por um período de dificuldade de diálogo, que a diretoria não recebia nossas demandas. De duas semanas para cá, isso parece ter estar mudando de alguma forma. Mas a gente sabe que o diálogo entre entidade sindical que representa os trabalhadores e o empregador, nunca é fácil. Vamos ver como fica daqui para frente", afirma. Os profissionais pretendem elaborar um documento com as principais reivindicações do setor e enviar à direção do Grupo Hospitalar Conceição.

O Grupo Hospitalar Conceição afirmou, por meio de nota, que as mobilizações sindicais que envolvem o dissídio das categorias de trabalhadores em todos os hospitais vêm sendo tratadas pelo SindiHospa, entidade que reúne os dirigentes dos hospitais de Porto Alegre, públicos e privados. No que diz respeito ao Grupo Hospitalar, a atual diretoria “vem pautando a gestão pelo diálogo e garantia dos direitos e demandas históricas dos trabalhadores”, como a recomposição do quadro de trabalhadores com incorporação por concurso público e o aumento do vale alimentação.

Veja Também

Ainda, reajuste de salários conforme as Convenções coletivas de Trabalho, redução da jornada de trabalho dos higienizadores sem redução de salário, retomada dos atendimentos e oferta de consultas para os empregados, criação da Política de Combate ao Assédio Moral e Sexual, retomada dos Colegiados de Equipe e de Gestão para indicar prioridades no Plano de Investimento da instituição e a consolidação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários para os trabalhadores. Veja a nota completa abaixo:

Com relação às mobilizações sindicais é importante esclarecer que ela envolve o dissídio das categorias de trabalhadores em todos os hospitais e o assunto vem sendo tratado pelo SindiHospa, entidade que reúne os dirigentes dos hospitais de Porto Alegre, públicos e privados. No que diz respeito ao Grupo Hospitalar Conceição, é importante ressaltar que desde o início desta gestão (abril de 2023) a atual diretoria vem pautando a gestão pelo diálogo e garantia dos direitos e demandas históricas dos trabalhadores:

a) Já em abril de 2023 foi reativada a Mesa Setorial Permanente, reunindo diretoria do GHC e todas as entidades sindicais que representam as diversas categorias de trabalhadores que atuam no GHC. Nesta mesa, todas as questões são tratadas, de forma transparente com as lideranças sindicais, como foi ocorreu na manha desta quarta-feira (14/05) em mais uma rodada de conversa permanente;

b) Também desde 2023 a atual gestão vem procurando recompor o quadro de trabalhadores. De um quadro de 10 mil servidores concursados em 2023, quando assumimos a gestão, o Grupo já incorporou mais de 1.600 trabalhadores por concurso público para evitar a sobrecarga e garantir mais qualidade na assistência, ampliando para cerca de 11 mil trabalhadores concursados em todo o Grupo no RS.

c) Esta diretoria desde abril de 2023 vem aumentando o vale alimentação, chegando ao valor de R$ 1.000,00 em abril de 2025, um aumento de 159%. Um avanço, uma vez que o vale ficou congelado e sem reajuste desde 2019.

d) Os salários foram reajustados conforme as Convenções coletivas de Trabalho e, além disso, o GHC pagou um abono de R$ 1.000,00 para todos os empregados do Grupo em setembro e outubro de 2023.

e) Uma das principais reivindicações das organizações sindicais era a redução da jornada de trabalho dos higienizadores SEM redução de salário, o que foi atendido. Os trabalhadores da higienização reduziram sua jornada de trabalho de 220 horas para 180 horas sem redução do salário, atendendo uma reivindicação histórica da categoria.

f) Em maio de 2023 foram retomados os atendimentos e oferta de consultas para os empregados da instituição, algo que havia sido interrompido, com mais de 24.300 atendimentos (de junho de 2023 a agosto de 2024).

g) Criamos a Política de Combate ao Assédio Moral e Sexual no GHC que foi construída com a participação dos trabalhadores;

h) Fortalecemos as Comissões de Promoção de Igualdade Racial, de Heteroidentificação, de Acessibilidade e Mobilidade e de equidade de gênero que são atuantes e auxiliam no fortalecimento de políticas públicas inclusivas tanto para os funcionários como para o atendimento dos usuários;

i) O GHC retomou os Colegiados de Equipe e de Gestão onde os trabalhadores participam e elegem representantes para indicar as prioridades no Plano de Investimento da instituição;

j) Foi nesta diretoria que consolidamos um Plano de Cargos, Carreiras e Salários para os trabalhadores, após 40 anos de expectativa;

k) Também é nesta gestão que foi apresentado aos trabalhadores um Plano de Previdência Complementar com aporte de 100% por parte do GHC como contrapartida (até o limite de 12% do salário) para garantir uma aposentadoria financeiramente tranquila

Estes são exemplos que reforçam o compromisso desta diretoria de valorizar quem trabalha para fortalecer o SUS e tem compromisso com os usuários. Nossa relação é de respeito com as demandas dos trabalhadores e, na medida das possibilidades e dos recursos, temos atendido toda a pauta de reivindicações apresentadas na Mesa Permanente de Negociação.