Saúde

Etanol x Fomepizol: veja as diferenças entre antídotos contra intoxicação por metanol

Ministério da Saúde busca tratamento de referência no mercado internacional

O fomepizol (ou 4-metilpirazol) é apontado como a terapia de referência para os casos de intoxicação por metanol
O fomepizol (ou 4-metilpirazol) é apontado como a terapia de referência para os casos de intoxicação por metanol Foto : Governo do Estado de São Paulo/ Divulgação

O aumento de casos de intoxicação por metanol no Brasil, após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, fez com que o Ministério da Saúde adotasse medidas emergenciais para garantir o acesso a antídotos.

Uma das opções já utilizadas no país é o etanol farmacêutico. Porém, um medicamento considerado o mais eficaz para o tratamento, o fomepizol, ainda é indisponível no mercado brasileiro. O medicamento não possui registro nacional e precisa ser importado em caráter emergencial.

O tratamento é mais caro e de difícil acesso no mercado internacional. Para tentar viabilizar a compra, a Anvisa publicou o Edital de Chamamento Internacional 17/2025, com o objetivo de identificar fabricantes e distribuidores internacionais do fomepizol. Diante da emergência, o governo também negocia com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para obter doações imediatas.

Como o metanol age no corpo e como atua o antídoto

O metanol é um álcool tóxico. Quando ingerido, o fígado tenta metabolizá-lo por meio da enzima álcool desidrogenase. O problema é que esse processo gera formaldeído e ácido fórmico, compostos extremamente nocivos que podem causar cegueira, falência renal e até levar à morte.

O objetivo do tratamento, portanto, é bloquear essa metabolização, evitando que o metanol seja transformado nesses venenos.

Uso do etanol farmacêutico

O etanol farmacêutico é uma versão purificada do álcool comum, mas é produzido e rotulado especificamente para uso em medicamentos, cosméticos, perfumaria e outros produtos. Essa purificação atende a rigorosos padrões de qualidade para garantir a segurança e eficácia do produto final.

O tratamento é administrado de forma controlada, intravenosa ou oral, conforme necessidade clínica. A substância impede que o metanol seja convertido em ácido fórmico, uma substância ainda mais perigosa.

Apesar de já estar sendo utilizado como opção, ele apresenta limitações ao exigir monitoramento rigoroso, pois o próprio etanol pode provocar intoxicação em doses altas, além de tornar o manejo clínico mais complexo.

Como age o fomepizol

O fomepizol (ou 4-metilpirazol) é apontado como a terapia de referência para os casos de intoxicação por metanol, etilenoglicol e dietelinoglicol. O medicamento atua inibindo diretamente a enzima álcool desidrogenase, o que bloqueia a metabolização do metanol e impede a formação de substâncias tóxicas no organismo.

Entre suas principais vantagens, está o fato de ser mais seguro por gerar menos efeitos colaterais. Além disso, não provoca risco de intoxicação secundária e torna o manejo clínico mais simples para as equipes médicas.

É reconhecido como medicamento essencial na lista da OMS (Organização Mundial de Saúde) e aprovado pelo FDA (Food and Drugs Administration, a Anvisa americana) desde 1997. No entanto, ele não possui registro no Brasil.

Casos no Brasil

Na sexta-feira, o Ministério da Saúde atualizou que 113 casos de intoxicação por metanol após a ingestão de bebida alcoólica haviam sido registrados em todo o país. Ao todo, são 11 casos confirmados e 102 em investigação. Na divisão por estados, São Paulo lidera com 101 registros (11 confirmados e 90 em investigação).

Do total de casos notificados, 12 resultaram em morte, das quais uma está confirmada no estado de São Paulo e 11 estão sendo investigadas.

Informadas pelos Centros de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (Cievs) estaduais, as notificações de intoxicação por metanol foram repassadas ao Cievs nacional, que consolida os dados.

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