Saúde

Médicos residentes do Hospital Universitário de Canoas devem parar a partir de quinta-feira

De acordo como Simers, os constantes atrasos nos pagamentos dos profissionais resultam em escalas incompletas; também há deficiência de equipamentos e materiais

Os profissionais reivindicam pagamento em dia dos preceptores e dos anestesistas, escalas completas e garantia de manutenção dos programas
Os profissionais reivindicam pagamento em dia dos preceptores e dos anestesistas, escalas completas e garantia de manutenção dos programas Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

Os médicos residentes do Hospital Universitário de Canoas decidiram, por unanimidade, parar as atividades na casa de saúde a partir da próxima quinta-feira. A medida, anunciada após assembleia convocada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), é motivada pela falta de preceptores com especialização adequada e de anestesistas. De acordo como Sindicato, os constantes atrasos nos pagamentos dos profissionais resultam em escalas incompletas, causando prejuízos para a formação dos residentes. Também há deficiência de equipamentos e matériais.

O presidente do Simers, Marcelo Matias, destaca que tem recebido uma série de relatos sobre as deficiências que interferem diretamente na formação dos médicos que fazem residência para se especializar em determinada área. "Há problemas em todos os setores, que comprometem o ensino e o futuro dos residentes e, também, a assistência à população", enfatiza Matias. A mobilização deve afetar os programas de residência de pediatria, neonatologia, cirurgia geral, clínica médica, otorrinolaringologia, ginecologia e obstetrícia.

Os profissionais reivindicam pagamento em dia dos preceptores e dos anestesistas, escalas completas, garantia de manutenção dos programas com as condições apropriadas e um plano operativo que garanta aos residentes a realização de procedimentos para formação completa

REUNIÃO DEVE BUSCAR SOLUÇÃO

Em nota, a Associação Saúde em Movimento (ASM), empresa gestora do HU, informou que deve se reunir nesta semana com representantes dos residentes médicos que atuam na instituição, representantes da Ulbra e da Secretaria Municipal de Saúde. O objetivo do encontro é conciliar soluções para questões levantadas pelos residentes em assembleia promovida pelo Simers.

Informou ainda que o HU Canoas e a ASM estão empenhados em construir uma alternativa dialogada para a situação, mesmo diante da sugestão de que o movimento esteja contaminado pela forte intransigência do sindicato em relação ao hospital. Há o máximo interesse da instituição em que o HU Canoas siga vocacionado à formação médica de excelência e, por esse motivo, está aberta a mesa de diálogo, mesmo enfrentando dificuldades extremas e de toda a ordem.

"Também não cruzamos os braços diante das adversidades. Em um movimento inédito na cidade de Canoas, mobilizamos força política junto à Câmara de Vereadores e ao Governo Municipal para buscar, em Brasília, emendas e aportes de recursos do Ministério da Saúde para renovar o parque tecnológico assistencial do HU Canoas, defasado há muito tempo. E também buscamos incrementar a faixa financeira do custeio hospitalar, incontestavelmente insuficiente para a demanda atual da casa de saúde. Por fim, reiteramos nosso compromisso com a Saúde Pública e a medicina de qualidade, trabalhando incansavelmente para superar os desafios financeiros e operacionais do momento."

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