Saúde

Mortes por intoxicação, busca por antídoto e estados afetados: entenda os perigos do metanol

Uma morte foi confirmada e há ao menos nove outras sob investigação

Substância é altamente tóxica e pode contaminar diversos produtos
Substância é altamente tóxica e pode contaminar diversos produtos Foto : José Cruz / ABr/ Divulgação CP

Nos últimos dias, o registro de dezenas de casos de intoxicação por consumo de metanol, em bebidas adulteradas, trouxe preocupação ao país. Os casos surgiram primeiro em São Paulo, estado que concentra a grande maioria dos registros, mas já aparecem em outros estados.

Uma morte por intoxicação foi confirmada e há ao menos outras nove em investigação. Mais de cem casos estão em investigação - a grande maioria deles no estado de São Paulo.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recomenda que os brasileiros evitem o consumo de bebidas destiladas. Em paralelo, o governo agiliza a compra de antídotos para o tratamento das infecções.

Uma das hipóteses consideradas pela polícia é de que o metanol tenha sido utilizado para limpeza das garrafas.

Veja o que já se sabe sobre os casos de intoxicação, o combate à produção e venda de bebidas adulteradas e os esforços no combate às infecções.

Mortes por intoxicação

A intoxicação por consumo de metanol pode causar a morte. No Brasil, pelo menos uma morte foi confirmada por intoxicação por metanol após consumo de bebida adulterada, com laudo e confirmação de ingestão de bebida adulterada. A vítima foi um homem de 54 anos, morador de São Paulo.

Há ao menos outras nove mortes em investigação (sem laudo e sob apuração das circunstâncias).

Oito delas ocorreram em SP: cinco na capital, duas em São Bernardo do Campo, na região metropolitana, e uma em Cajuru, no interior paulista, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de SP. Outro caso, divulgado na sexta-feira, ocorreu em Feira de Santana, na Bahia. A vítima é um homem de 56 anos.

Estados que registraram casos

Os números de casos suspeitos aumentam conforme novas notificações chegam ao conhecimento do poder público. Até a tarde desta quinta-feira, o Brasil contabilizava ao menos 60 notificações relacionadas à intoxicação por metanol, a grande maioria no estado de São Paulo, com 53 casos. Foram registrados ainda cinco casos em Pernambuco, um no Distrito Federal.

Na sexta à tarde, a Secretaria Estadual de Saúde de SP atualizou o dado. São investigados 102 casos, sendo que em 11 deles foi confirmada a presença de metanol.

Na sexta-feira, um caso foi registrado no Paraná. A vítima é um homem de 60 anos, morador de Curitiba, que foi atropelado após consumir bebida alcóolica. Ele ingeriu bebida destilada. O homem está internado desde quarta-feira, 1º, inconsciente e em estado grave, conforme a secretaria.

São 91 casos em investigação e 11 confirmados.

RS não registrou casos, diz SES

Até o momento, o Rio Grande do Sul não tem registros de casos suspeitos. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) do Rio Grande do Sul, disse nesta quinta-feira, 2, que “não há registro, no Estado, de notificação de intoxicação exógena pelo metanol em bebidas alcoólicas”. O órgão afirma que nunca houve registro desse tipo de intoxicação no território gaúcho.

Busca pelo antídoto

O governo federal anunciou a compra, em caráter emergencial, de 150 mil ampolas de etanol farmacêutico (5 mil tratamentos), além da possibilidade de adquirir Fomepizol junto a produtores e agências internacionais. As duas substâncias servem como antídotos contra intoxicações por metanol e serão adquiridas para utilização por estados e municípios para o tratamento de vítimas. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, via redes sociais.

Padilha informou que estruturou, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), um estoque estratégico em hospitais universitários federais e serviços do SUS com 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico.

A Anvisa está acionando autoridades internacionais para garantir o fomepizol. A agência brasileira acionou ao menos outras dez agências na União Europeia, EUA, China, Argentina, entre outros.

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Evite bebidas destiladas

Alexandre Padilha recomendou que a população evite o consumo de bebidas alcoólicas destiladas. "Na condição de ministro e como médico, a recomendação é que se evite ingerir produto destilado, sobretudo os incolores, que você não tenha absoluta certeza da origem", recomendou. “Não há problema nenhum na vida de ninguém evitar o consumo."

O ministro reforçou que a recomendação é sobre bebidas destiladas. Ele explicou que no caso da cerveja, por exemplo, é mais difícil adulterar pelas características da bebida, como gás, tampa descartável, entre outros. "Já tivemos casos de intoxicação em cerveja quando teve uma falha na produção", disse.

PF mira fábricas clandestinas em SC, SP e MG

Indústrias de três estados foram alvo de fiscalização da Polícia Federal por suspeita de venda de bebida adulterada, nesta sexta-feira, em ação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Os alvos da ação estão localizados em Campinas (SP), Chapecó e Joinville (SC) e Poços de Caldas (MG).

Amostras dos produtos produzidos e armazenados serão encaminhadas a laboratórios para análise químico-sanitária. As verificações buscam identificar a conformidade dos insumos utilizados, a eventual presença de substâncias proibidas, como o metanol, ou em concentrações acima dos limites legais, além de avaliar a rastreabilidade dos lotes e a responsabilidade pela fabricação ou manipulação.

Na véspera, a PF fiscalizou indústrias de bebidas nas regiões de Sorocaba e Grande São Paulo suspeitas de vender produtos adulterados com metanol.

Em São Paulo, a Polícia Civil prendeu uma comerciante de 47 anos por armazenar bebidas alcoólicas sem a respectiva documentação fiscal, no Jardim Rodolfo Pirani, na zona leste de São Paulo. Conforme a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), a comerciante chegou a apresentar uma nota fiscal falsa. Mais de duas mil garrafas de gin, de diferentes marcas, foram apreendidas.

Câmara agiliza projeto contra falsificação

A Câmara dos Deputados deve votar na próxima semana o projeto que torna hediondo o crime de adulteração de bebidas alcoólicas e de alimentos, afirmou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta sexta-feira, 3.

Ele afirmou, no entanto, que a votação dependerá de o relatório estar pronto. O deputado federal Kiko Celeguim (PT-SP) foi escolhido relator da proposta.

Na quinta, o plenário aprovou o regime de urgência para a proposta. Os projetos com urgência podem ser votados diretamente no Plenário, sem passar antes pelas comissões. O crime hediondo é inafiançável e insuscetível de graça, indulto ou anistia, fiança e liberdade provisória. O projeto não propõe a extensão da pena, mas a lei de crimes hediondos determina penas de até 30 anos, com progressão de regime mais lenta.