Saúde

Puxadas pelos casos de doenças respiratórias, emergências de Porto Alegre operam acima da capacidade

Em algumas emergências e unidades de Pronto Atendimento, superlotação beira os 300% nesta segunda-feira

Unidade de emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre opera acima da capacidade
Unidade de emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre opera acima da capacidade Foto : Ricardo Giusti

A semana começou mais uma vez com registro de superlotação nas emergências de hospitais e em unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Porto Alegre. Alguns locais apresentavam taxa de ocupação entre 250% e 300% na manhã desta segunda-feira, de acordo com o painel de monitoramento da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). O ponto mais crítico era na UPA Moacyr Scliar, na zona Norte de Porto Alegre, que operava com 288% da capacidade.

Ainda entre as UPAs, há registro de lotação na Lomba do Pinheiro com 225% da capacidade, na unidade da Bom Jesus com 192% e na Cruzeiro do Sul com 172%. De acordo com o painel, a principal causa da alta procura por atendimentos de emergência é respiratória. Já nas unidades de urgência e emergência adulto de hospitais, o quadro mais grave era registrado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), com 285% de lotação.

Além do HCPA, a emergência da Santa Casa de Misericórdia operava com 250% da capacidade. Ainda lotados, mas com quadro menos agravado, estavam as unidades de emergência adulto dos hospitais da Conceição (161%) e São Lucas da PUCRS (140%). Já entre os atendimentos de pediatria, o Hospital da Criança Conceição era o com maior taxa de ocupação, com 171% no final da manhã desta segunda-feira.

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“Quadro se mantém, não agravou”

Local com maior índice de lotação no dia, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre vê a demanda de atendimentos de urgência se estabilizar nas últimas semanas, apontou o médico e chefe da emergência do HCPA, Daniel Pedrollo. Entretanto, ele cita o represamento de pacientes que aguardam leitos e a falta de fluxo de leitos como o principal problema.

“O quadro se mantém, não agravou. Essas oscilações ocorrem e se mantém. O problema, que é crônico, é a falta de fluxo de leitos para as emergências. O hospital tem que girar. O paciente tem que entrar, fazer o que precisa ser feito e sair do hospital, aumentando o giro do leito. O problema das emergências é que falta via de saída para os pacientes daqui para dentro do sistema. Mais UPAs não vai resolver esse problema. As UPAs atendem os pacientes e eles também ficam lá represados, aguardando leitos de internação”, afirmou.

Sobrecarga de atendimentos também impacta

Pedrollo também ressalta o impacto da alta demanda de atendimentos nos profissionais de saúde que atuam em emergências e UPAs. “Acabamos vendo muito mais pacientes. E a chance de eventos adversos aumenta dentro dos locais lotados. As equipes estão tendo que administrar mais medicações, são interrompidas durante seu trabalho por conta da demanda. O ambiente acaba ficando mais tumultuado. E acaba que temos uma sobrecarga mental maior. Precisamos estar mais atentos, com cuidado redobrado por conta de um risco maior de eventos adversos”, finalizou.