Saúde

Saúde municipal diz não estimar prazo de melhoria na superlotação em hospitais de Porto Alegre

Secretaria disse que há dependência de diversos fatores, entre eles a evolução de casos de doenças sazonais e a dependência de leitos

No início da tarde deste domingo, os quatro pronto atendimentos clínicos de Porto Alegre registravam lotação superior a 150%, de acordo com a Prefeitura
No início da tarde deste domingo, os quatro pronto atendimentos clínicos de Porto Alegre registravam lotação superior a 150%, de acordo com a Prefeitura Foto : Ricardo Giusti

As internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), considerada uma forma mais grave da gripe, e que requer cuidados quanto à hospitalização, seguem uma tendência diferente neste ano em Porto Alegre na comparação com o ano passado. De acordo com os dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a semana epidemiológica 21 concentra o maior contingente de pessoas internadas por influenza até o momento na rede pública da Capital, com 24.

Na semana 15, o número havia sido de zero, enquanto nas cinco seguintes, houve aumento. Mas, na semana 22, já houve uma redução de dois terços, para oito. Em 2024, ainda conforme a SMS, o pico de internações foi visto na semana 16, com 22, reduzindo semanalmente nas quatro semanas seguintes. De qualquer maneira, a superlotação vem pressionando o Sistema Único de Saúde (SUS) há meses, e quando há o recorte de internações por todas as condições respiratórias, o aumento tem sido visto de maneira sustentada desde o começo de 2025, alcançando o pico na semana 22, com 460 pessoas internadas.

Na rede privada, a situação diverge entre hospitais, com o Mãe de Deus e Moinhos de Vento, em geral, em um estado de menor comprometimento, enquanto no Ernesto Dornelles, a emergência chegou a ser fechada recentemente por conta da superlotação. Na semana passada, o Boletim InfoGripe mais recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já havia apontado o Rio Grande do Sul como um dos 24 Estados brasileiros em nível de alto risco, risco ou alerta para crescimento a longo prazo nos casos de SRAG e vírus sincicial respiratório (VSR), assim como Porto Alegre consta entre as 14 capitais com alerta, risco ou alto risco no recorte somente da SRAG.

Procurada para estimar um prazo de melhoria na situação, a SMS destacou que isto “depende de múltiplos fatores, como a evolução dos casos de doenças sazonais, a disponibilidade de leitos e a continuidade dos atendimentos de pacientes de outras regiões”. No entanto, há o reforço de 100 novos leitos para suprir a expectativa da alta demanda relacionada, visando a Operação Inverno, já em andamento. Também 136 profissionais de saúde foram contratados temporariamente, além de nove unidades abertas aos sábados, e outras nove aos sábados, domingos e no feriado de Corpus Christi, no próximo dia 19. O investimento é de R$ 13,3 milhões, com recursos municipais e federais.

Superlotação persiste neste final de semana

No início da tarde deste domingo, os quatro pronto atendimentos clínicos de Porto Alegre registravam lotação superior a 150%, de acordo com a Prefeitura, com o maior contingente de pacientes na UPA Moacyr Scliar, com 341%, e um quarto dos pacientes de fora da Capital. Todos os quatro hospitais de alta complexidade também tinham lotação maior do que 100%, com a Santa Casa o maior entre eles, com 307%. Ainda na semana passada, quem também se manifestou sobre o assunto foi o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), ao qual a UPA em questão faz parte.

O GHC anunciou, em coletiva de imprensa, um novo turno em dias de semana para consultas, exames e cirurgias, além do sábado como dia útil, medida esta que deve se tornar permanente, segundo o diretor-presidente do grupo, Gilberto Barichello, citando investimentos federais do programa Agora Tem Especialistas. A plenitude do projeto, que nas palavras dele promete reduzir as filas nos hospitais do GHC, Nossa Senhora da Conceição, da Criança Conceição, Cristo Redentor e Fêmina, deve estar operacional em agosto, mas parte das medidas já vale desde o último dia 2.

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