Uma ferida que parece uma afta, uma pequena mancha na língua ou um machucado que insiste em não desaparecer. O que muitas pessoas consideram uma alteração passageira pode ser um dos primeiros sinais do câncer bucal, doença que pode evoluir silenciosamente e sem provocar dor. O desconhecimento dos sintomas e a demora na procura por atendimento podem comprometer as chances de um diagnóstico precoce.
Diante desse cenário, a Hapvida reforça o alerta à população da região Sul durante a Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal, realizada de 1º a 7 de novembro. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a região Sul do Brasil apresenta uma das maiores taxas de incidência de câncer da cavidade oral e de lábio do país. O cenário reforça a importância de reconhecer alterações suspeitas e buscar atendimento antes que a doença avance.
“O câncer bucal, principalmente no início, pode não causar dor. Então, esperar começar a doer para procurar um dentista é um erro”, ressaltou o cirurgião-dentista da Hapvida, Gabriel Figueiredo. Feridas que não cicatrizam em aproximadamente 15 dias estão entre os principais sinais de atenção. Manchas brancas ou avermelhadas, caroços, regiões endurecidas e sangramentos sem causa aparente também precisam ser avaliados.
Lesões que persistem
Segundo Figueiredo, embora uma afta comum geralmente desapareça em alguns dias, lesões que persistem, aumentam de tamanho ou apresentam mudanças na aparência exigem investigação. Isso não significa que toda alteração seja câncer, mas que os sintomas não devem ser ignorados. O tabagismo e o consumo frequente de bebidas alcoólicas estão entre os principais fatores de risco, especialmente quando os dois hábitos são associados.
A exposição prolongada à radiação solar, por sua vez, está relacionada ao câncer de lábio, o que exige atenção redobrada de quem trabalha ao ar livre. O especialista também chama atenção para determinados tipos de HPV, associados principalmente ao câncer de orofaringe, região próxima à boca que inclui as amígdalas e a base da língua.
Apesar de ser mais frequente entre homens acima dos 40 anos, o câncer bucal também pode atingir pessoas mais jovens e sem histórico de tabagismo ou consumo de álcool. “Não fumar e não beber não significa estar completamente protegido. Uma pessoa que tem hábitos saudáveis também pode desenvolver a doença”, comenta Figueiredo.
Diagnóstico precoce amplia as chances de cura
De acordo com o cirurgião-dentista, a investigação começa com uma avaliação clínica, na qual são observadas as características da lesão, o tempo de aparecimento e o histórico de saúde do paciente. Quando há suspeita de câncer, a confirmação é realizada por meio de biópsia, procedimento que permite analisar uma amostra do tecido em laboratório. Dependendo do caso, também podem ser necessários exames de imagem e consulta com especialista.
A identificação precoce da doença pode aumentar as chances de cura. Em estágios avançados, por outro lado, as intervenções podem ser mais complexas e comprometer funções como a mastigação, a fala e a deglutição. “A diferença entre descobrir um câncer no início e descobrir quando ele já está avançado pode ser a chave da recuperação do paciente”, destacou.
Entre as medidas preventivas, Figueiredo recomenda evitar o cigarro, reduzir o consumo de álcool, utilizar protetor labial com filtro solar e manter a vacinação contra o HPV em dia, conforme as recomendações de saúde. O acompanhamento odontológico regular também desempenha um papel importante, já que permite identificar alterações que o próprio paciente muitas vezes não nota.
“Na Odontologia, nosso trabalho vai muito além de cuidar dos dentes. Precisamos olhar para o paciente como um todo. E identificar uma lesão suspeita no momento certo pode fazer uma diferença enorme na vida daquela pessoa”, frisou.