Há exatos 17 meses – um ano e cinco meses – o Guaíba invadia o Centro Histórico de Porto Alegre e dava início, na Capital, àquela que seria a maior cheia já registrada na maior cidade gaúcha. De lá para cá, a recuperação dos equipamentos públicos e o desenvolvimento e aplicação de projetos de adaptação climática tomaram conta da rotina de todos porto-alegrenses. E justamente esse processo de reconstrução vivido pela Capital gaúcha será um case de destaque a ser apresentado na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, que será realizada em Belém do Pará entre os dias 10 e 21 de novembro.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) e coordenador-geral do Escritório de Reconstrução e Adaptação Climática, Germano Bremm, explica que essa será uma oportunidade de apresentar o caminho trilhado em Porto Alegre, principalmente os desafios superados, para a resiliência da Capital pós-enchente. Além dele, a comitiva da prefeitura que participará da COP30 terá a ainda o prefeito Sebastião Melo e outros gestores ligados ao gabinete do chefe do executivo e do Escritório de Reconstrução.
“Estaremos lá em diversos painéis. As agendas ainda estão sendo organizadas, mas teremos um painel na abertura para falar de crescimento sustentável pós-enchente, conectado também com o Plano Diretor, para compartilhar um pouco todo esse processo. Quando falam em COP, lembram muito do encontro dos líderes globais, mas para as cidades e para os agentes locais ela é um evento muito bom para troca de experiências e aprendizado, além de busca de parceiros para desenvolvimento e financiamento de diversos projetos”, apontou Bremm.
O secretário destacou ainda que a relevância da apresentação do case se dá pela nova realidade climática vivida em diversas regiões do mundo, com registros de eventos extremos em outros países. “Cerca de 30% do nosso território foi atingido, tivemos mais de 300 equipamentos total ou parcialmente destruídos, com mais de R$ 12 bilhões em prejuízos para o poder público. Isso é um alerta inclusive para outras cidades que elas poderão sofrer caso não estejam preparadas. A COP é uma oportunidade de compartilhar um pouco dessa experiência que infelizmente tivemos aqui e da caminhada que é feita desde então”, completou.
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A diretora de Projetos e Políticas de Sustentabilidade da Smamus e coordenadora do Eixo de Adaptação Climática do Escritório da Reconstrução de POA, Rovana Reale Bortolini, conta que a pasta ainda está trabalhando na preparação do case e da agenda que a comitiva terá na COP30. Além disso, ela reforçou que as ações se efetivaram de forma mais rápida pois a Capital já possuía estudos, estratégias e planos de ação encaminhados.
“Se for observar no plano de ação climática, que estava sendo desenvolvido quando aconteceu a enchente, todo aquele conjunto as ações que já estavam ali foi o que de fato se mostrou necessário implementar com urgência para tornar Porto Alegre mais resiliente. Foi por causa disso que a gente conseguiu contratar tantos serviços de uma forma tão rápida. A gente já sabia o que fazer pois esse plano já estava sendo finalizado”, afirmou.
Desde então, ela aponta que o escritório já conseguiu colocar em andamento em ao menos 20 iniciativas de resiliência atreladas ao plano de ação climática. Entre as iniciativas, estão o monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico de Porto Alegre, a revitalização do posto de comando móvel da Defesa Civil e o monitoramento da qualidade do ar. “É muita coisa que conseguimos tirar do papel nesses 17 meses. Então, com toda certeza, Porto Alegre é um case de sucesso nesse sentido, por já ter uma estratégia bem estabelecida”, reforçou Rovana.
Até o momento, Bremm cita que a Capital já investiu mais de R$ 600 milhões em intervenções pós-enchente, seja na recuperação da viabilidade da infraestrutura ou de equipamentos públicos, assim como o desenvolvimento de projetos urbanos. “As questões mais básicas de infraestrutura que ainda restam, esperamos até o próximo ano concluir grande parte dessas intervenções. Mas ainda temos muitos estudos que estão sendo concluídos e que vão indicar novas intervenções e melhorias na cidade. Em que pese a tragédia tenha sido gigantesca, conseguimos responder rapidamente se comparado com o histórico de outras cidades que viveram isso”, concluiu o secretário.
OBRAS NO CORREDOR HUMANITÁRIO
Recuperação da infraestrutura danificada está encaminhada
Com muitos equipamentos públicos municipais atingidos pela enchente histórica de maio de 2024, Porto Alegre já tem grande parte estes locais recuperados passados 17 meses da tragédia. Entretanto, 15 obras seguem em andamento e ao menos outros 12 projetos estão sendo encaminhados ou em próximos de serem executados para restabelecer plenamente a infraestrutura afetada pela cheia na Capital.
Apesar disso, o diretor de Áreas Verdes e coordenador do Eixo de Infraestrutura do Escritório de Reconstrução, Alex Souza, reforça que os atendimentos em setores prioritários, como saúde e educação, foram retomados plenamente. Na área da saúde, foram 18 estruturas afetadas, com nove obras concluídas, sete com obras em andamento e outros dois projetos encaminhados. Já na educação, as obras nas 14 escolas atingidas foram concluídas, com tudo recuperado ainda para o início do ano letivo de 2025, de acordo com a prefeitura.
No desenvolvimento social, foram nove áreas atingidas, sendo uma restabelecida até o momento, duas em obras, outras duas com previsão de início de obra no próximo mês e quatro com projetos encaminhados. Na cultura, foram quatro estruturas municipais afetadas, sendo uma já recuperada, outra em obra e dois projetos encaminhados. Em esporte e lazer, a prefeitura apontou quatro estruturas danificadas, sendo uma já recuperada, outra em obra e duas com projetos encaminhados.
Já no setor de praças e parques, foram 114 espaços atingidos, com obras concluídas em todos eles. Entretanto, as intervenções nas orlas de Porto Alegre não foram inclusas neste tópico, mas sim consideradas à parte. Foram quatro orlas atingidas – trechos 1 e 3, Ipanema/Guarujá e Lami –, com obras em andamento em todas elas. Souza aponta que as intervenções no Trecho 3 da Orla do Guaíba são as que estão mais próximas de serem finalizadas.
“No Lami, a previsão é de entrega no segundo semestre de 2026. Em Ipanema, esperamos entregar até o final deste ano, com a população ganhando esse presente para o Natal. Já o Trecho 3 está mais próximo, estourando a boca do balão. Ali, temos a previsão de entregar até a metade de novembro. Grande parte das obras já concluídas e restam pendências apenas relacionadas com quadro elétrico e materiais de produção específica”, sinalizou.
Com relação ao Trecho 1 da Orla, o diretor explica que algumas obras estruturas ainda precisam ser feitas, o que motiva, por exemplo, a interdição de alguns decks de madeira e ferro que avançam sobre o Guaíba. “Ali o caminho é um pouco mais longo. Serão obras nas contenções de pedra que seguram a borda da orla. Muitos foram rompidos e vão ter que passar por intervenções. Provavelmente, os trabalhos sigam até o início do segundo semestre de 2026”, completou.
Apesar disso, Souza reforçou que a recuperação da infraestrutura afetada pela cheia está em estado avançado em Porto Alegre. “Temos o maior orgulho de ver o quanto foi rápida a resposta e o quanto conseguimos nos organizar. Não é fácil aplicar o dinheiro público, pois são muitos trâmites, prazos e processos. Ficamos felizes em ver o quanto conseguimos entregar em pouco tempo”, finalizou.
OBRAS DE RECUPERAÇÃO DO TRECHO 3 DA ORLA DO GUAIBA