As cidades, que durante décadas tiveram seu crescimento na expansão, hoje enfrentam os desafios da adaptação e da regeneração. Desafios ligados ao envelhecimento populacional, às mudanças climáticas, às transformações do trabalho e às novas dinâmicas econômicas estão entre as principais preocupações e que deverão reposicionar cada vez mais a lógica de crescimento e planejamento urbano.
Essa reflexão é o mote das discussões do encontro Cidades Responsivas, que está na sua 4ª edição. O evento, que ocorre nesta quinta e sexta-feira no Instituto Caldeira, é promovido pelo Instituto Cidades Responsivas, e parte da premissa de que a cidade é um sistema de agentes e que o seu futuro precisa ser operado em conjunto, envolvendo uma colaboração entre academia, governos e mercados.
Nos painéis, serão discutidos assuntos como envelhecimento e redução populacional, inteligência artificial para o desenvolvimento urbano, planejamento de bairros, regeneração pós-enchentes, iniciativas urbanas, entre outros pontos. Entre os principais painelistas, está Alain Bertaud, pensador considerado referência no urbanismo contemporâneo, que tratou nesta manhã sobre os desafios das cidades para o envelhecimento da população.
"A gente tem esse privilégio e esse desafio de ser as criaturas que se preparam para esse futuro que a gente não está acostumado a viver”, destacou, na abertura do evento, a sócia-fundadora e diretora do Instituto Cidades Responsivas, Luciana Fonseca.
Ela lembrou que o desenvolvimento das cidades começou com a revolução industrial, seguindo com o crescimento da população urbana e a era das máquinas. Com a população parando de crescer e vivendo mais, chegam desafios demográficos, como a preparação das cidades para o envelhecimento populacional. Nas palavras de Luciana, esse cenário cria uma "inflexão paradigmática" na matriz contextual da história das cidades.
"A gente está reprogramando esse território que foi uma indústria em outro tempo, e entendendo que a cidade contemporânea é esse movimento dinâmico de comportamento e de acontecimentos. Então, a gente transforma esse território por um momento, mas já entendendo que ele vai ser transformado no futuro a partir de uma lógica contemporânea de ocupação das cidades."
Outro fator para se pensar nesses desafios é a reforma tributária, que irá mudar as métricas de arrecadação da produção e do consumo. "Isso vai fazer com que as cidades sejam mais compactas, mais dinâmicas e que os municípios busquem população a partir dessa ótica para criar mais densidade e uma economia de aglomeração mais potente".
No Rio Grande do Sul, um assunto que se tem batido na tecla é a resiliência das cidades para as mudanças climáticas. Para Luciana, que também participará de um papel sobre o assunto, as cidades precisam ser não apenas resilientes, mas ser um sistema adaptável às transformações, com a necessidade se criar planejamentos territoriais.
"É um tema naturalmente sistêmico. A água vai vir e a gente vai precisar se preparar. Mas fundamentalmente, a água é um tema que atravessa dimensões normativas municipais, porque uma água, uma linha d'água, ou um rio, não é só de um município, está atravessando vários”. Em um dos painéis, será discutida a experiência do Vale do Taquari, e mostrado como os municípios daquela região se articularam para produzir planejamento territorial.
Os painéis segue até essa sexta-feira, às 17h30min. A programação completa pode ser acessada na página do evento.