Depois meses após o fim do prazo previsto em lei para a extinção definitiva do cargo de cobrador nos ônibus de Porto Alegre, uma a cada dez viagens ainda possui alguém atuando na função, conforme a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU). A Lei nº 12.910, aprovada pela Câmara de Vereadores em setembro de 2021, instituiu o dia 10 de janeiro de 2026 como data limite.
A SMMU destaca que o marco de 90% das viagens sem a presença do cobrador é um “reflexo da modernização do sistema de transporte coletivo e da mudança no comportamento dos passageiros”. Apesar disso, a pasta explica que ainda não foi possível alcançar os 100% de operação sem alguém na função por conta do embarque pelo lado esquerdo que ocorre em algumas plataformas, que inviabiliza a retirada do profissional.
“Além disso, há linhas com maior movimento em horários de pico, nas quais parte dos usuários ainda não utiliza os meios mais modernos de pagamento da bilhetagem eletrônica. Ainda soma-se a isso o fato de que parte dos cobradores possui estabilidade em razão de acordos trabalhistas, o que impede a realocação desses profissionais para outras funções no sistema. De acordo com o planejamento, a previsão é avançar ainda mais nessa evolução até o meio do ano”, citou a secretaria, em nota.
Ainda de acordo com um levantamento feito pela pasta, atualmente, apenas 12% dos usuários ainda efetuam o pagamento da tarifa em dinheiro. A SMMU reforça que, mesmo com o fim do prazo para extinção da função, o programa segue em andamento, acompanhado de ações de capacitação e realocação profissional. “A formalização desse processo ocorreu de forma natural, acompanhando uma transformação que já vinha se consolidando desde a implantação da bilhetagem eletrônica, em 2007”, completou a pasta.
A secretaria destaca ainda que, desde a aprovação da lei, parte dos cobradores se aposentou, enquanto outros foram capacitadas para exercerem novas funções dentro dos consórcios das empresas operadoras de transporte. Além disso, a pasta salienta que, com a redução gradativa dos cobradores e revisão de isenções tarifárias, foi possível reduzir a tarifa do transporte público.
Sem elas, a tarifa estaria em R$ 8,50, conforme a SMMU. Atualmente, o valor da passagem de ônibus em Porto Alegre está R$ 5,30. “A modernização dos meios de pagamento no transporte coletivo tornou o modelo tradicional incompatível com a realidade tecnológica atual, e a lei reconhece essa evolução, organizando a transição de maneira responsável e equilibrando eficiência operacional com responsabilidade social”, concluiu a pasta.
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Sindicato lamenta extinção da função de cobradores
Apesar de alguns cobradores seguirem atuando nos ônibus de Porto Alegre, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Coletivos Urbanos de Passageiros de Porto Alegre (Stetpoa), Sandro Abbade, lamentou o avanço do programa de extinção da função. Ele destaca que o sindicato vem acompanhando o aumento de casos de estresses em motorista por conta do acúmulo de demandas.
“Aumentou o número de motoristas que estão se encostando no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) pelo estresse. Também aumentou o número de acidentes com vítimas nas portas do meio e de trás por conta da falta do cobrador, que também ajudava orientando o motorista. Tentamos pedir no último acordo coletivo que fossem colocadas câmeras nas portas traseiras, mas o sindicato patronal não aceitou”, contou Abbade.
Para o presidente do Stetpoa, outro motivo que explica a não extinção da função ainda é a estabilidade de alguns cobradores. “Alguns possuem a estabilidade pré-aposentadoria, por atuarem em comissões internas nas empresas ou por serem delegados sindicais. Mas muitos cobradores foram remanejados, seja passando para motorista ou para cargos administrativos. Apesar disso, é lastimável perder esse profissional. Eles fazem falta na cidade”, finalizou.