Diversos bairros de Eldorado do Sul ainda registram alagamentos na manhã desta segunda-feira, e moradores tentam escapar da chegada das águas, que continuam a subir. No bairro Cidade Verde, ruas paralelas à avenida Getúlio Vargas, como Primavera, Mario Quintana e Érico Veríssimo, estão totalmente alagadas e com acesso bloqueado. A rua Gabriela do Nascimento, no bairro Picada, que também é acesso para a Ilha da Pintada, é outra bloqueada devido aos alagamentos pela elevação do nível do Guaíba nesta manhã.
Na avenida Lucas Espíndola, no bairro Cidade Verde, vários carros estão estacionados onde a água ainda não chegou. Próximo à rua do Comércio, que já está alagada, Maicon do Nascimento, de 41 anos, está dormindo no carro desde sexta-feira, e se alimenta com a ajuda de vizinhos. Morador do fundo da avenida, Maicon relata que lá a água passa acima do joelho, e acredita já ter perdido seus pertences, vivenciando novamente o cenário que passou na enchente de maio do ano passado.
Sua esposa, Débora, e seus dois filhos, um deles com bronquite, foram para Porto Alegre. Mas ele não queria deixar seus pertences com risco de saque e, também, seus dois cachorros, General e o Tsunami, pai e filho. Ele conseguiu deixar os animais domésticos trancados em uma espaço desocupado, ao lado de um mercado, e fica os vigiando. “É uma coisa que não largo, é igual filho”, diz.
Ano passado, ele perdeu todos os pertences com a enchente, e aguarda ser contemplado no processo de Compra Assistida. “Está horrível, mas ano passado foi pior”, relata sobre a cheia. Maicon vai de vez em quando de barco monitorar a rua, mas não pretende sair de lá.
Na mesma avenida, duas mulheres estão abrigadas desde esse domingo na parte vazia de um restaurante, que já está fechado desde que as águas invadiram a via. “A gente fica com medo de sair de casa por conta dos saques”, diz Sandra da Cruz Rodrigues, de 33 anos. A moradora da rua Aldorindo Oliveira Maia tem três filhos. Samantha da Cruz Rodrigues, de 35 anos, outra refugiada, tem três filhos. A moradora da rua Napoleão Taváres de Jesus afirmou que a água já ultrapassa a altura dos joelhos.
Andreia Rick, de 47 anos, moradora da rua João de Deus Almeida Alves, está dormindo na garagem de sua casa, já que a água chegou aos demais cômodos. “Não quero estar saindo. Enquanto não cortarem a luz, vou continuar”, diz. A dona de casa trabalha produzindo bolachas para vender, mas já não consegue há mais de uma semana por conta das chuvas. Ela tem três filhos.
De acordo com último balanço divulgado pela Defesa Civil do município, são 74 famílias, 191 pessoas, que estão nos abrigos do município, sendo 55 crianças e adolescentes e seis idosos. Além de Cidade Verde, e outros bairros mais afetados são Chacara, Picada, Vila da Paz, Sans Souci, Itai, Sol Nascente e o Assentamento Integração Gaúcha (IRGA). O órgão afirma que está monitorando a situação 24 horas por dia, e orienta que moradores permaneçam atentos e sigam orientações para garantir segurança.
Bairros de Guaíba podem ser afetados com cheia
O nível do Guaíba tem apresentando elevação lenta, mas contínua, seguindo acima da cota de alerta e com tendência de subida devido à vazão dos rios afluentes que continuam impactando no volume de água na região, como o Rio Caí, que deságua em Porto Alegre, e o Taquari, que deságua no Rio Jacuí, em Triunfo/São Jerônimo.
Essa elevação pode afetar a Orla da cidade de Guaíba, em especial a rua Três (Lot Ipê), a orla do bairro Alvorada e demais localidades e ruas às margens do Guaíba. Segundo o município, até o momento, os bairros Cohab e Santa Rita não apresentam risco de inundações.
O bairro Ipê, por ser o ponto mais baixo do município, em especial a rua Três do bairro, é o primeiro a ser impactado pelo aumento do nível Guaíba. A água avançou lentamente na localidade, com uma lâmina d'água de cerca de 300m. A Defesa Civil afirmou que segue em constante monitoramento e tem alojamento à disposição da população. Por enquanto há uma família abrigada, composta por duas pessoas desalojadas.
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