Mais de um ano após a enchente, o Museu do Carvão, em Arroio dos Ratos, finalmente recebe de volta seu acervo que foi danificado pela enchente em 2024. Cerca de meio milhão de documentos foram retirados do local, congelados, higienizados, restaurados e, nesta semana, estão sendo devolvidos. O Museu, localizado a 55 quilômetros da capital gaúcha, ocupa uma área de 11 hectares, com prédios e ruínas ainda da época da mineração, e também teve danos estruturais com a catástrofe.
A enchente atingiu a instituição no dia 1º de maio, e as equipes conseguiram ter acesso ao Museu apenas três dias depois. Após a água baixar, foram recolhidos os documentos pertencentes ao arquivo histórico da mineração carbonífera. Inicialmente, a ideia era improvisar um container de congelamento, mas não foi possível devido à urgência para recebê-lo. A alternativa encontrada foi na cidade vizinha, em São Jerônimo, para armazenar o arquivo em câmaras frias, conta Jordana Bortolotti, diretora da instituição. "Uns cinco dias depois da enchente, nós conseguimos levar esse material. Ficou congelado de maio a outubro todo o nosso arquivo, em torno de 650 caixas de documentos que molharam", diz.
Em junho, o Museu também foi contemplado por uma fatia do investimento de R$ 25 milhões do governo do Estado e Banrisul para o setor cultural afetado pela enchente para a recuperação do arquivo e também da estrutura do prédio, que havia recém sido recuperada duas semanas antes da catástrofe. Foram 4,2 milhões aplicados no projeto de recuperação do arquivo histórico e nas demais recuperações da estrutura na enchente.
Recuperação
Em outubro, o arquivo foi transportado das câmaras frias de São Jerônimo para o Museu Arqueológico do Rio Grande do Sul (Marsul), em Taquara, para o processo de descongelamento, secagem e higienização com ozônio. “O congelamento foi feito para não ter a proliferação de fungos e bactérias. Essa secagem aconteceu também com esse cuidado. Como a gente demorou alguns dias para conseguir congelar, provavelmente teria algum tipo de fungo, e o ozônio fez essa limpeza”, explica Jordana.
Após a secagem, foi montado em março deste ano um laboratório na Casa de Cultura Mario Quintana para recuperar o material vindo de Taquara que poderia estar danificado, com orientação dos professores Jorge Vivara e Cátia Berwanger e acompanhamento da historiadora do Museu do Carvão, Liana Ribeiro. O material ainda está sendo levado ao local, pouco a pouco, para recuperação.
A parte que não foi danificada está sendo devolvida ao Museu. “Nós realocamos a estrutura do arquivo para o segundo piso da usina, onde já estamos com as estantes preparadas para receber esse arquivo que já está higienizado. Agora, a gente vai começar a fazer o levantamento do que precisa ser enviado para Porto Alegre”, diz a diretora.
Digitalização
Em paralelo, o Museu também realiza um processo de digitalização do arquivo, visando preservar mais ainda o material. “Para termos essa segurança de ter o acervo por muito tempo. Nós queremos continuar sendo esse objeto de pesquisa e fruto de bons trabalhos. Com essa digitalização, a gente acredita que vai melhorar ainda mais”, projeta a diretora.
Para Jordana, a recuperação do arquivo é um grande passo para a história do Museu. “Nossos objetivos estão sendo alcançados. A gente passou por todo esse processo, então é um sentimento de dever cumprido, e de que nosso arquivo está voltando para casa. A gente vai conseguir atender todas as demandas que temos, dos pesquisadores também. Cada passinho é uma grande conquista”, diz.