O aumento do número de acidentes envolvendo bugios-ruivos (Alouatta guariba), muitos deles resultando na morte destes animais, tem preocupado moradores e ambientalistas do bairro Quatro Colônias Norte, na cidade de Campo Bom. Para mitigar a situação, a prefeitura planejou a colocação de passarelas aéreas em pontos que registram o maior número de casos.
Até o momento foram instaladas duas estruturas, com objetivo de oferecer rotas seguras de travessia para os primatas. As passarelas reduzem o risco de contato com a rede elétrica e contribuem para a preservação da espécie, que já enfrenta pressões crescentes sobre seu habitat natural.
Entre 2018 e 2025, os registros de óbitos desses primatas cresceram de forma significativa, especialmente entre fêmeas, tendo a eletrocussão em redes elétricas como principal causa. No ano de 2025 a Secretaria do Meio Ambiente recebeu cinco relatos de bugios eletrocutados. O problema é recorrente nas áreas rurais, onde linhas de média e alta tensão atravessam fragmentos de mata utilizados pelos primatas como corredores de deslocamento.
As ocorrências tornam-se ainda mais frequentes durante os períodos reprodutivos dos bugios. Nessa fase, as fêmeas ampliam suas áreas de deslocamento em busca de alimentos específicos, como flores e frutos, aumentando o risco de contato com a fiação elétrica. Muitos casos envolvem fêmeas que morrem carregando seus filhotes, que acabam sofrendo graves queimaduras, mutilações ou também não resistem à descarga elétrica. Entre 2018 e 2025, foram três casos de resgates de filhotes de bugios-ruivos, cujas fêmeas tiveram óbito confirmado.
O secretário de Obras e Planejamento, Pedro Paulo Gomes, enfatiza que a falta de isolamento adequado nas redes elétricas transforma a infraestrutura em uma ameaça constante à fauna silvestre, resultando em mortes.
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