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Ponta Grossa: conheça o bairro de áreas verdes e vida tranquila no Extremo Sul de Porto Alegre

Formado às margens do Guaíba, região no Extremo Sul da Capital combina paisagens naturais, lazer ao ar livre e iniciativas comunitárias

Com cerca de 8,9 mil habitantes, segundo o Censo 2022, a região mantém características rurais dentro da cidade
Com cerca de 8,9 mil habitantes, segundo o Censo 2022, a região mantém características rurais dentro da cidade Foto : Alex Rocha/PMPA/Divulgação

No Extremo Sul de Porto Alegre, o bairro Ponta Grossa é um importante reduto de natureza preservada da Capital. À beira do Guaíba, a paisagem reúne mata nativa, praias e trilhas que contrastam com o ritmo urbano e ajudam a moldar a relação dos moradores com o território.

Com cerca de 8,9 mil habitantes, segundo o Censo 2022, a região mantém características rurais dentro da cidade. As praias da Ponta Grossa e do Tranquilo são ponto de encontro para lazer ao ar livre, enquanto o bairro como um todo concentra iniciativas de turismo comunitário e projetos voltados à preservação ambiental, conduzidos por moradores e coletivos locais.

Origem do nome está na geografia

O nome do bairro nasce de um traço marcante da paisagem: uma ponta de terra que avança sobre o Guaíba, formando uma pequena península. Sobre ela se eleva o Morro da Ponta Grossa, com cerca de 145 metros de altura, uma das maiores elevações da Capital, o que explica a denominação.

O nome já aparece em registros desde o século XVIII, associado a esse conjunto geográfico, que servia como referência para a navegação no Guaíba.

Nome vem de uma ponta de terra que avança sobre o Guaíba, marcada pelo morro de 145 metros, visível à distância para navegadores e tropeiros desde o século XVIII | Foto: Google Maps/Reprodução

Linha do tempo de formação e desenvolvimento do bairro

  • Séculos XVIII e XIX: formação do território e perfil rural

Antes da ocupação formal, há indícios da presença indígena na região, especialmente de povos guarani. A partir do século XVIII, o território passa a ser registrado como um grande rincão de terras, com ocupação dispersa e uso voltado à criação de animais e à exploração de recursos naturais.

Ao longo do século XIX, a área manteve esse perfil predominantemente rural, passando por diferentes proprietários e com pouca urbanização.

  • Final do século XIX e início do XX: primeiros impulsos de desenvolvimento

A ocupação da Ponta Grossa começa a se estruturar a partir do fim do século XIX, com iniciativas como a do major Francisco da Costa Peixoto, que instalou uma olaria na região utilizando a argila do Arroio do Salso. A produção ajudou a abastecer Porto Alegre com materiais de construção e marcou um dos primeiros vetores econômicos locais.

Já no início do século XX, a construção da ponte sobre o arroio ampliou o acesso e integrou o bairro a outras áreas do Extremo Sul, como Belém Novo, Lami e Itapuã, além de impulsionar atividades comerciais e produtivas. O período também registra a intensificação da navegação pelo Lago Guaíba e os primeiros movimentos de loteamento na região.

Em 1897, um mapa elaborado pelo arquiteto Affonso Hebert registrava a área da Ponta Grossa com cerca de 651 hectares, indicando a antiga olaria, um pequeno porto e uma pedreira próxima ao morro, de onde foi extraído granito usado em construções do Centro Histórico de Porto Alegre.

Chaminé permanece como a última estrutura remanescente da antiga Olaria Peixoto no bairro Ponta Grossa | Foto: Vagner Debom Eifler/Projeto Histórias da Ponta Grossa/Divulgação
  • Décadas de 1930 a 1960: veraneio, ciência e infraestrutura

A partir da década de 1930, a Ponta Grossa passa a atrair moradores interessados em casas de veraneio e sedes campestres. A paisagem natural e a proximidade com o Guaíba impulsionaram esse movimento.

Também nesse período surgem equipamentos importantes, como a Estação Experimental de Caça e Pesca, que mais tarde daria origem ao atual laboratório federal na área agropecuária. Projetos urbanísticos e loteamentos começam a redesenhar partes do território, embora sem descaracterizar o ambiente natural.

Ao mesmo tempo, a comunidade passa a se organizar por melhorias básicas, como transporte e energia elétrica, marcando o início de uma mobilização local que se estende até hoje.

  • Da segunda metade do século XX à criação oficial

Nas décadas seguintes, o bairro seguiu em transformação gradual. O primeiro Plano Diretor de Porto Alegre, em 1979, já reconhecia a Ponta Grossa como área de interesse paisagístico e ambiental, com potencial para preservação e lazer.

Apesar da ocupação crescente, a região manteve grandes áreas verdes e características rurais. Em 1991, foi oficialmente criado como bairro, com limites definidos posteriormente em 2006.

O bairro tem como limites o Arroio do Salso, a Avenida Juca Batista, a Estrada Retiro da Ponta Grossa e a Estrada da Ponta Grossa, além do Arroio Guabiroba e da orla do Lago Guaíba, fazendo divisa com Serraria, Belém Novo e Hípica.

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Natureza preservada e uso do território

A principal marca da Ponta Grossa é a forte presença da natureza, com remanescentes de Mata Atlântica. Projetos como o Histórias da Ponta Grossa promovem caminhadas guiadas, trilhas ecológicas e ações de resgate da memória local.

Entre os destaques está a trilha do Morro da Ponta Grossa, que combina paisagem natural e elementos históricos em um mesmo percurso. Também cresce na região o turismo de base comunitária, com empreendimentos familiares voltados à hospedagem, gastronomia e experiências ligadas ao cotidiano local.

Outro ponto emblemático que chama atenção de quem visita o bairro é a antiga Estação Transmissora da Rádio Farroupilha, construída em 1952 pelo grupo Diários Associados, então comandado por Assis Chateaubriand. Em funcionamento até 1986, o espaço foi um marco do rádio gaúcho. Hoje em ruínas, o pédio foi erguido em concreto armado, no estilo neocolonial espanhol, e permanece como referência histórica.

Antiga Estação Transmissora da Rádio Farroupilha foi construída em 1952 e desativada em 1986 | Foto: Vagner Debom Eifler/Projeto Histórias da Ponta Grossa/Divulgação