Cidades

Rodoviários de São Leopoldo, em estado de greve, podem paralisar os serviços a partir de segunda-feira

A decisão foi aprovada em assembleia diante da falta de propostas para a Campanha Salarial pelas empresas patronais e da ausência de esclarecimentos sobre a renovação da concessão do transporte

Os rodoviários de São Leopoldo, em estado de greve desde a última quarta-feira, podem parar os serviços de transporte coletivo público a partir da próxima segunda-feira. De acordo com Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de São Leopoldo, a decisão foi aprovada em assembleia diante da falta de propostas para a Campanha Salarial pelas empresas patronais e da ausência de resposta da prefeitura ao ofício protocolado pelo Sindicato cobrando esclarecimentos sobre a renovação da concessão do transporte coletivo.

Conforme o presidente do Sindicato, Wilson Junior Caetano de Araújo, a categoria luta por equiparação salarial com o município de Sapucaia do Sul, retomada do quinquênio, vale-alimentação nas férias, aceitação dos atestados do SUS, bem como melhores condições de trabalho e valorização dos rodoviários. Araújo garante ainda que antes do início da paralisação, uma nova assembleia será realizada no domingo, para que a categoria analise uma eventual proposta. "Se houver proposta, os trabalhadores decidirão soberanamente. Se não houver avanço, permanece a decisão da assembleia e segunda-feira será dia de paralisação."

O presidente disse ainda que o compromisso do Sindicato sempre foi buscar uma solução por meio do diálogo. "Porém, diálogo só existe quando há negociação. Até o momento, a categoria segue sem receber uma proposta que atenda às reivindicações apresentadas pelos trabalhadores." Araújo ainda destaca que repudia qualquer tentativa de ameaça ou coação contra os rodoviários. "Nenhum trabalhador pode ser intimidado por exercer seu direito de lutar por melhores condições de trabalho."

Transporte público de São Leopoldo não recebe subsídio público

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano do Vale dos Sinos (Setup) e o Consórcio Operacional Leopoldense (Coleo) em atenção a possibilidade de deflagração de greve para a próxima segunda-feira, esclarece à população que as empresas não criaram qualquer obstáculo às negociações, tampouco se recusaram a dialogar com a categoria.

Todavia, as empresas não têm condições de assumir novos reajustes de salários e benefícios sem que haja uma solução para o financiamento do transporte coletivo de São Leopoldo. Conforme o Consórcio, a receita que se arrecada com tarifa atualmente não cobre o custo real do serviço e o sistema não recebe subsídio público, medida que permitiria reduzir a pressão sobre a tarifa e manter o transporte mais acessível à população.

Além disso, o reajuste tarifário solicitado em abril deste ano ainda não foi analisado pela prefeitura. Soma-se a isso, conforme o Coleo, a falta de decisão da prefeitura sobre a prorrogação do contrato, cuja primeira etapa termina em 18 de agosto de 2026, embora o Consórcio tenha apresentado o pedido há mais de seis meses.

O Coleo informou ainda que o desequilíbrio econômico-financeiro do transporte coletivo de São Leopoldo vem se agravando de forma contínua nos últimos anos e as operadoras vem fazendo todos os esforços para manter o serviço em funcionamento, honrando seus compromissos com trabalhadores, fornecedores e demais custos da operação. Por fim, informou que as empresas seguem dispostas a negociar e buscar uma solução que evite a greve, mas é indispensável receita suficiente e segurança jurídica.

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