Uma manifestação pacífica de centenas de moradores, autoridades, empresários e movimentos sindicais da Costa Doce às margens da BR 116, na localidade de Douradilho, em Barra do Ribeiro, na manhã desta quinta-feira, pediu a continuidade do Projeto Natureza, da CMPC, que pretende investir por volta de R$ 27 bilhões em um novo complexo fabril de celulose no município. Não houve bloqueio da rodovia.
Considerado o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, o projeto é alvo de uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF). O órgão alega não ter havido a chamada Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) às comunidades indígenas potencialmente atingidas dos Guarani Mbyá, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), assim como possíveis falhas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) apresentado pela empresa.
A CMPC, que estima cerca de seis mil empregos gerados com o projeto em curso, nega todas as contestações, dizendo estar rigorosamente dentro da lei e da fiscalização de órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). O governo do Estado assumiu publicamente posição favorável à CMPC, assim como 52 dos 55 deputados estaduais e grande parte da bancada federal gaúcha, segundo a empresa.
A companhia chilena, que já aportou cerca de US$ 400 milhões no Projeto Natureza, havia recentemente sinalizado a intenção de remeter o empreendimento ao Paraguai se o imbróglio federal continuar no Brasil até o final do ano, mas segundo o diretor de Celulose da CMPC, Antônio Lacerda, que esteve na mobilização, “a primeira, a segunda e a terceira opções” são Barra do Ribeiro.
Moradores de Barra do Ribeiro realiza ato público em apoio à CMPC no município
“Não acredito que vamos perder para outros países. O risco maior é de o empreendimento não acontecer. Temos que apostar e lutar para que ele ocorra e mais de 80 mil pessoas sejam impactadas positivamente. O que o MPF pede é inédito no Brasil, não somente para nosso investimento. Esse ineditismo jurídico não pode prosperar”, afirmou ele. “Estive em Brasília ontem e temos o integral apoio do presidente Lula e ministérios para estes investimentos”, afirmou ele. Caminhões se posicionaram e cartazes pedindo a continuidade do projeto foram expostos. Houve falas de autoridades e inclusive uma camiseta foi confeccionada com os dizeres “Barra do Ribeiro é CMPC”.
Trajando uma bandeira do município, o prefeito de Barra do Ribeiro, João Francisco Silva Feijó, disse que o Projeto Natureza é um divisor de águas para a cidade, que poderá aumentar sua arrecadação de impostos em quase três vezes os valores atuais caso o empreendimento se concretize. “As pessoas estão ansiosas, os comércios, lojistas, empresários querem investir aqui na nossa cidade. Qual o prefeito que não quer uma CMPC ou qualquer empresa que gere empregos e renda para a comunidade? Precisamos muito que essa empresa permaneça em nossa cidade e no Rio Grande do Sul”, comentou Feijó.
Para o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Guaíba e Região, Ideraldo Souza da Silva, “o Estado está terminado” caso o projeto da CMPC não avance. “Não somente Barra do Ribeiro estará quebrada, mas o Estado como um todo, porque a empresa transporta material para todos os lugares. E isso vai trazer uma crise muito grande. Guaíba não desenvolvia da maneira como desenvolveu depois da chegada da CMPC. Ela é uma potência para nosso Estado, e não pode ir embora”, disse Silva.