Ensino

Encontro debate futuro do ensino médico brasileiro em Porto Alegre

Reunião de representantes deverá apresentar propostas para fortalecimento da formação no país

Entre as propostas sugeridas está a criação de exame para concessão do registro médico
Entre as propostas sugeridas está a criação de exame para concessão do registro médico Foto : Fabiano do Amaral

Representantes de academias médicas de todo o país se reúnem entre esta sexta-feira e sábado, em Porto Alegre, para debater os desafios e oferecer propostas para a qualificação da formação profissional de médicos no Brasil. O evento é promovido pela Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina em parceria com a Academia Nacional de Medicina.

O ato de abertura foi realizado no auditório do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) com apelo por maior rigor na autorização de criação de cursos de medicina e para a concessão da credencial para o exercício profissional. As propostas foram defendidas em discurso pelo presidente do Cremers, Régis Angnes, ao iniciar a cerimônia, que foi ovacionado pelo público.

O objetivo do encontro é debater propostas para o aprimoramento da formação profissional na medicina, que integrarão um documento para apresentação aos órgãos e representantes públicos competentes. “Não estamos aqui para ampliar o diagnóstico dos problemas do ensino médico brasileiro. Nossa responsabilidade é outra: transformar reflexão em proposta, conhecimento em compromisso e debate em ações concretas”, afirmou o presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, Sérgio De Paula Ramos.

Na sequência, o presidente da Academia Nacional de Medicina, Antonio Egídio Nardi, palestrou sobre suicídio em médicos, situação que afeta muitos profissionais do ramo, sobretudo as mulheres. Conforme explicou o psiquiatra, a alta competitividade, o isolamento e a exaustão, são os principais fatores que contribuem para o alto índice de médicos que atentam contra a própria vida.

“O risco de suicídio começa na faculdade. Os dados são associados a medidas de controle da profissão médica e isso é algo muito evidente. Existe esse livro que relata várias cartas de médicos que se suicidaram nos Estados Unidos e a maioria se queixa da profissão. Muitos se queixam do isolamento social e isso faz com que tenhamos que repensar a nossa qualidade de vida”, afirma Nardi.

O encontro segue no sábado, com o debate “Face ao atual momento do ensino médico, o que a Academia propõe?”, a partir do qual será elaborada a Carta de Porto Alegre. A discussão reunirá representantes de diversas Academias para discutir alternativas para o aperfeiçoamento da formação médica brasileira. O texto reunirá as principais conclusões e propostas construídas ao longo do encontro.

Entre as propostas sugeridas está a criação de um exame para concessão do registro médico, elaborado pelo Conselho Federal de Medicina. A expectativa é que o documento promova ensino de qualidade para as gerações de médicos que estão por vir. Representantes das diretorias da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) e do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) também marcaram presença na abertura do encontro.

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