Uma multidão tomou conta do Centro de Sapucaia do Sul, durante a caminhada Sapucaia por Elas, uma mobilização realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher e dedicada à conscientização e a favor de políticas públicas eficazes e sérias de enfrentamento à violência contra a mulher.
Promovida pela Prefeitura de Sapucaia do Sul, por meio do Centro de Referência da Mulher (CRMulher), com apoio do Gabinete da Primeira-Dama, a atividade reuniu mulheres, famílias e representantes da comunidade em um ato simbólico e pacífico de mobilização social. A abertura do evento foi marcada pela implementação do Banco Vermelho, símbolo de memória e alerta permanente contra o feminicídio.
Ao longo do percurso, pela avenida Sapucaia, participantes carregaram cartazes com mensagens de conscientização e denúncia da violência, chamando atenção para a responsabilidade coletiva no enfrentamento ao problema. Frases como "Se eu sou homem e sou amigo de abusador, por favor me avisa" e "O silêncio do homem também mata" marcaram a caminhada e reforçaram o apelo por mudança cultural e social.
A primeira-dama Maria da Glória, destaca que a atividade foi realizada para demonstrar que a atual gestão não tolera mais violência contra as mulheres. "Não podemos mais aceitar. Chega! Infelizmente, Sapucaia está entre as estatísticas com a morte de uma menina de 15 anos. E hoje, infelizmente, já somamos 21 mortes no estado."
Conforme ela, é extremamente necessário que as famílias orientem seus filhos através da educação. "Essa caminhada foi realizada para chamar atenção da população de que não vamos tolerar violência. Nós nascemos para viver, nascemos para sermos protagonistas das nossas ações, da nossa vida e da nossa história. Respeito acima de tudo. Vamos cobrar leis mais severas."
O trajeto foi decorado com bandeiras nas cores rosa e roxa, símbolos da luta pelos direitos das mulheres. Também foram instalados cartazes que apresentavam marcos históricos das conquistas femininas ao longo das últimas décadas, convidando os participantes a refletirem sobre a trajetória de luta e avanços das mulheres.
Já no encerramento da mobilização, um momento de forte emoção marcou o público presente: 21 pares de sapatos femininos foram carregados e posicionados em homenagem às 21 vítimas de feminicídio só neste ano no RS, cada par representando uma vida interrompida pela violência. Os sapatos foram colocados ao lado dos nomes das vítimas, reforçando a urgência do debate e das ações de enfrentamento contra a violência doméstica.